Extrema-direita colombiana chega ao poder com promessas de mão de ferro

Abelardo de la Espriella - FOTO: JOAQUIN SARMIENTO
Advogado milionário apelidado de "O Tigre" e apoiado por Trump, Abelardo de la Espriella será presidente da Colômbia a partir de 7 de agosto
Abelardo de la Espriella, advogado milionário apelidado de "O Tigre" e apoiado por Donald Trump, venceu a eleição presidencial da Colômbia e assumirá o comando do país a partir de 7 de agosto.
Aos 47 anos, ele concorreu pela primeira vez a um cargo eletivo e se tornou um fenômeno político com comícios marcados por pirotecnia, rugidos de tigre e um discurso contundente contra a classe política e a esquerda.
Antes de entrar para a política, Abelardo de la Espriella construiu carreira como advogado de clientes controversos, atuando na defesa de paramilitares, narcotraficantes, políticos envolvidos em corrupção e estrelas do futebol.
Sua trajetória profissional o colocou no centro de debates sobre seus vínculos do passado durante toda a campanha.
O resultado da eleição foi bastante disputado.
Com 99,91% das mesas apuradas, De la Espriella obteve 49,65% dos votos, contra 48,70% do senador de esquerda Iván Cepeda — uma diferença de 246 mil votos em um universo de pouco mais de 25 milhões de eleitores.
A vitória veio após uma contagem rápida divulgada pela autoridade eleitoral, em meio a um ambiente de tensão institucional.
O presidente Gustavo Petro afirmou nas redes sociais que "não se pode proclamar ninguém presidente" antes do escrutínio final e disse que "a realidade nos dá um país dividido ao meio".
O estilo do presidente eleito combina espetáculo e promessa de força.
Abelardo de la Espriella afirma que vai "reconstruir a República", recuperar a segurança e defender a democracia "pela razão ou pela força", declarando-se um "inimigo ferrenho" da esquerda.
Ele diz se inspirar em líderes da direita internacional como Javier Milei, Nayib Bukele e Donald Trump, e defende a redução de 40% da estrutura do Estado, afirmando ser capaz de administrá-lo como uma empresa.
A segurança é o eixo central de seu discurso.
De la Espriella promete governar com "mão de ferro" e já declarou que, em seu governo, "bandido que não se submeter [à Justiça] será abatido".
Entre suas propostas estão a construção de megapresídios, com detentos "dez andares abaixo da terra" e alimentados com "pão e água", além da defesa do porte de armas.
Na política externa, Abelardo de la Espriella pretende formar uma aliança militar com Estados Unidos e Israel e defende o fim do tribunal criado pelo acordo de paz com as Farc em 2016.
O presidente eleito também é conhecido por explorar símbolos nacionais em sua imagem pública: costuma aparecer de terno sem gravata e mocassins, e usa com frequência a camisa amarela da seleção colombiana — prática que gerou críticas da esquerda pelo uso político do uniforme.
Com dupla nacionalidade americana e colombiana, De la Espriella afirma ter deixado uma vida confortável na Itália para disputar a Presidência.
Ele diz que vivia a "dolce vita" em Florença e que a campanha foi um "sacrifício" pela "pátria".
Sua mulher chegou a declarar que, em caso de derrota, a família voltaria para a Itália, onde já tinha "a vida resolvida".
Antes de lançar a candidatura, o presidente eleito exibia nas redes sociais viagens em jatos particulares e itens de luxo, e sua fortuna e antigos vínculos profissionais viraram alvo de cobranças públicas.
Declarações polêmicas marcaram a campanha sem impedir sua ascensão.
Abelardo de la Espriella foi criticado por falas consideradas machistas e homofóbicas e se envolveu em controvérsias ao dizer que era preciso "estripar" a esquerda, frase pela qual depois pediu desculpas.
Apesar do discurso antissistema, ele mantém proximidade com figuras tradicionais da direita colombiana, afirmando ter "uma grande amizade" com o ex-presidente Álvaro Uribe.
O novo presidente se define como alguém que vive "de acordo com os princípios judaico-cristãos", embora anteriormente se declarasse ateu.