Vorcaro vai para cela comum após delação frustrar PF

Empresário foi transferido para cela convencional após investigadores considerarem sua colaboração lenta e insuficiente
A Polícia Federal transferiu Daniel Vorcaro para uma cela comum após dois meses em que o empresário ocupava uma sala especial na Superintendência da PF em Brasília — o mesmo espaço que havia abrigado o ex-presidente Jair Bolsonaro. A mudança reflete a insatisfação dos investigadores com o ritmo e a qualidade das informações prestadas pelo dono do falecido Banco Master.
Segundo apurado, os investigadores classificaram Vorcaro como "intelectualmente lento, moralmente ligeiro e politicamente atrasado" — três velocidades consideradas insultuosas para uma colaboração que deveria ser ágil e substancial. O rebaixamento para uma cela convencional é o sinal mais concreto do desgaste entre o candidato a delator e a PF. Desde que assinou um compromisso de confidencialidade, há dois meses, Vorcaro vinha sendo tratado com condições diferenciadas de detenção. Agora, foi acomodado numa cela que a PF utiliza para presos "em trânsito", o que abre a possibilidade de transferência para um presídio comum. O cerco em torno de Vorcaro também se estreitou no campo familiar e jurídico.
O empresário havia solicitado proteção para sua família, mas o movimento da PF foi na direção oposta: seu cunhado já estava preso, e na semana passada a corporação deteve um primo e o pai de Vorcaro. Além disso, o acesso dos advogados do empresário foi restringido, com visitas submetidas a controles mais rígidos. No campo das informações, Vorcaro é apontado como alguém que ainda trata a devolução do dinheiro obtido de forma ilícita como se fosse um jogo.
Pior: o empresário teria omitido fatos já expostos em seu próprio celular, como o pagamento de mesada ao senador Ciro Nogueira e um pedido de dinheiro feito por Flávio Bolsonaro — elefantes na sala que ele preferiu ignorar nas tratativas com os investigadores. A delação de Vorcaro corre o risco de se tornar irrelevante antes mesmo de ser concluída. A investigação avança por outros caminhos, e a fila de potenciais colaboradores também segue seu curso. Para Vorcaro, o caminho agora pode levar tanto a um presídio quanto, na pior das hipóteses para ele, à insignificância dentro do processo investigativo.