
Profissionais da saúde ajustam equipamentos antes de entrar em local com suspeita de ebola na República Democrática do Congo
Uganda fechou sua fronteira com a República Democrática do Congo (RDC) nesta quarta-feira (27/5), em uma tentativa de conter a propagação da epidemia de ebola que assola o país vizinho.
O Ministério da Saúde ugandense anunciou a medida após a RDC registrar mais de 220 mortes pela doença desde que o surto foi identificado em 14 de maio, com sete casos da variante Bundibugyo do vírus já detectados em território ugandense.
"A Uganda fechará temporariamente a fronteira com a RDC com efeito imediato", declarou a secretária permanente do ministério, Diana Atwine. "As únicas exceções são para as equipes autorizadas de resposta ao ebola, as operações humanitárias, o transporte de alimentos e mercadorias, e as forças de segurança, todas elas sujeitas a rígidos protocolos de controle e monitoramento sanitário", acrescentou.
Além do fechamento da fronteira, Atwine anunciou que pessoas provenientes da RDC deverão cumprir uma quarentena de 21 dias, sob supervisão do Ministério da Saúde e das equipes de vigilância.
Também serão realizados exames de saúde regulares para alunos de escolas localizadas próximas à região fronteiriça.
"Choque catastrófico"
A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou emergência internacional em razão do surto e alertou, na mesma quarta-feira, que o conflito armado no leste da RDC dificulta consideravelmente os esforços para conter a epidemia.
"O leste da RDC enfrenta atualmente um choque catastrófico entre doença e conflito, com o surto de ebola na província de Ituri ultrapassando a capacidade de resposta de saúde", afirmou o diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus, na rede social X.
"Pedimos a todas as partes beligerantes que concordem com um cessar-fogo imediato para conter esta epidemia e permitir um acesso seguro e sustentável às equipes médicas", acrescentou o diretor-geral da OMS, que pretendia desembarcar em Kinshasa na noite de quinta-feira (28/5).
Não existe vacina nem tratamento específico contra este vírus, que provoca a doença do ebola com uma taxa de mortalidade de até 50%.
Até o momento, são registrados mais de 900 casos prováveis, mas as autoridades de saúde internacionais acreditam em uma subnotificação dos números reais.
O vírus já se propagou por pelo menos três províncias da RDC.
Tedros viajaria na sexta-feira para Bunia, capital da província de Ituri, no nordeste do país e epicentro do surto.
"Interromper a transmissão do ebola depende completamente do acesso humanitário. Mas os combates em curso estão provocando deslocamentos em massa da população, empurrando contatos expostos para campos superlotados e cortando corredores críticos de contenção", explicou.
O diretor-geral da OMS ressaltou que os trabalhadores da linha de frente "arriscam suas vidas", enquanto os ataques contra centros de saúde tornam "praticamente impossível" o acompanhamento dos casos e de seus contatos.
"Nós apelamos por uma prioridade para a sobrevivência humana acima de qualquer outra coisa", pediu.
Tedros também enfatizou que "é impossível restabelecer a confiança dentro das comunidades ou isolar os pacientes sob o fogo das bombas".
Este é o 17º surto de ebola na RDC, um dos países mais pobres do mundo. A doença provoca uma febre hemorrágica extremamente contagiosa, e a combinação de conflito armado e epidemia segue desafiando a capacidade de resposta das autoridades sanitárias internacionais.