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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (19/5) acreditar que um acordo diplomático pode ser alcançado com Cuba. Ele declarou que pode ajudar a ilha "independentemente de haver ou não uma mudança de regime".
A declaração surpreende diante do endurecimento das sanções econômicas que o próprio governo norte-americano vem impondo ao país caribenho nos últimos meses.
"Acho que sim", disse Trump a jornalistas na Casa Branca ao ser questionado sobre a possibilidade de um acordo com Havana. "Cuba está nos ligando. Eles precisam de ajuda. Mas Cuba é uma nação fracassada. Cuba precisa de ajuda, e nós faremos isso", ressaltou o republicano.
Apesar da abertura sinalizada pelo presidente, o governo norte-americano continua classificando o regime comunista cubano como corrupto e incompetente, mantendo a defesa de uma mudança de regime no país.
Pressão econômica e crise energética
Nos últimos meses, Trump intensificou a pressão sobre Cuba ao impor um bloqueio de petróleo, medida que agravou a crise energética na ilha e forçou um rígido racionamento de combustível.
A Rússia foi o último país a enviar uma carga significativa de petróleo a Cuba: o navio-tanque Anatoly Kolodkin entregou cerca de 700 mil barris no fim de março, volume equivalente a aproximadamente duas semanas de consumo para a ilha de cerca de 10 milhões de habitantes.
A situação se deteriorou ainda mais após a prisão do então presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em janeiro, o que restringiu ainda mais o fornecimento de combustível para Havana.
Nas últimas semanas, a escassez de combustível agravou os apagões no país, deixando diversas regiões com apenas uma ou duas horas diárias de eletricidade.
Tensão diplomática em alta
Cuba, rival histórica dos Estados Unidos desde a Guerra Fria, enfrenta uma crise cada vez mais profunda diante do endurecimento das sanções impostas pelo governo Trump.
A tensão entre os dois países aumentou ainda mais com informações de que Washington planeja denunciar formalmente o ex-líder cubano Raúl Castro, de 94 anos, pelo episódio de 1996 em que aviões do grupo humanitário Brothers to the Rescue foram abatidos por Cuba.
O chanceler cubano, Bruno Rodríguez, reagiu afirmando que Cuba, "como todas as nações do mundo", tem o direito à legítima defesa contra agressões externas, conforme previsto pela Carta da ONU.
Um eventual indiciamento de Raúl Castro, irmão de Fidel Castro e um dos principais nomes da Revolução Cubana de 1959, é interpretado como mais um passo no endurecimento da política norte-americana contra Havana.
Moradores de Havana também demonstraram preocupação com a escalada da crise. "Não seria correto que os Estados Unidos invadissem Cuba, nem que Cuba invadisse os Estados Unidos. Eles precisam chegar a um acordo, conversar e negociar", afirmou o cubano Ulises Medina, de 58 anos.
Apesar dos sinais contraditórios emitidos por Washington, a declaração de Trump sobre a possibilidade de um acordo diplomático representa uma abertura incomum em meio ao cenário de crescente pressão econômica e tensão política entre os dois países.