
Foto: OMS/Reprodução
O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, chegou neste sábado (9) a Tenerife para acompanhar pessoalmente a operação de desembarque do cruzeiro MV Hondius, afetado por um surto de hantavírus que resultou em três mortes e gerou alarme internacional. A presença do chefe da OMS ocorre em meio à preocupação crescente dos moradores da região, especialmente em Granadilla de Abona, onde fica o pequeno porto industrial que receberá o navio. Antes de viajar às Ilhas Canárias, Tedros publicou uma carta aberta aos habitantes do arquipélago, reconhecendo a apreensão da população e buscando tranquilizá-la.
"Sei que vocês estão preocupados. Sei que, quando ouvem a palavra surto ou epidemia e veem um navio se aproximar de suas costas, vêm à tona lembranças que nenhum de nós conseguiu superar completamente. A dor de 2020 continua real, e eu não a minimizo nem por um momento", escreveu o diretor-geral. No mesmo texto, Tedros foi enfático ao afastar comparações com a pandemia de Covid-19. "Preciso que me escutem com clareza: isto não é outra covid. O risco atual para a saúde pública derivado do hantavírus continua sendo baixo", declarou. Ele também reconheceu a gravidade da cepa identificada no cruzeiro, lamentando as vítimas fatais. "Três pessoas perderam a vida, e nossos corações estão com suas famílias. O risco para vocês, em sua vida cotidiana em Tenerife, é baixo", afirmou, acrescentando que essa é a avaliação da OMS e "não a fazemos levianamente".
O último balanço da OMS, divulgado na sexta-feira, apontava seis casos confirmados entre oito suspeitos. Entre os mortos estão um casal de passageiros holandeses e uma mulher alemã. A doença é provocada por um vírus conhecido, mas pouco frequente, para o qual não existe vacina nem tratamento específico. De acordo com a organização, todas as pessoas a bordo foram classificadas como "contatos de alto risco". A diretora da OMS para Preparação e Prevenção de Epidemias e Pandemias, Maria Van Kerkhove, confirmou que a classificação vale para todos os ocupantes do navio.
A operação de retirada dos passageiros será realizada em etapas. Primeiro, o cruzeiro ficará ancorado diante da costa e os passageiros serão examinados ainda a bordo. Em seguida, o Exército fará o transporte até terra firme em uma embarcação menor. Após o desembarque, os passageiros serão conduzidos em ônibus isolados da população local até o aeroporto de Tenerife Sul, a cerca de dez minutos do porto, de onde serão repatriados de avião a seus países de origem. Segundo o ministro do Interior da Espanha, Fernando Grande-Marlaska, os passageiros espanhóis devem desembarcar primeiro.
A retirada continuará por grupos de nacionalidade, conforme os aviões estiverem prontos para a repatriação. Há voos previstos para Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha, Bélgica, Irlanda e Países Baixos. Tedros acompanha de perto cada etapa da operação, reforçando o compromisso da OMS com a transparência e a segurança da população local e dos passageiros.