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Entidades que representam a indústria e o varejo no Brasil reagiram com críticas à decisão do governo federal de extinguir a tributação sobre compras internacionais de até US$ 50. Na terça-feira (12), o governo anunciou a medida provisória que zera a chamada "taxa das blusinhas", imposto de importação de 20% aplicado sobre compras feitas em sites estrangeiros. A nova regra passou a valer a partir desta quarta-feira (13).
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) foi uma das primeiras a se manifestar contra o fim da cobrança, avaliando que a medida favorece produtos estrangeiros em detrimento da produção nacional, com impacto mais intenso sobre micro e pequenas empresas. "Permitir a entrada de importações de até US$ 50 sem tributação é o mesmo que financiar a indústria de países como a China, principal exportador de produtos de baixo valor para o Brasil, especialmente no setor têxtil. O prejuízo é direto a quem fabrica e comercializa em território brasileiro", afirmou o presidente da entidade, Ricardo Alban.
A CNI classificou a decisão como um retrocesso e destacou que a criação da "taxa das blusinhas" havia sido considerada uma conquista para a indústria e o comércio nacional. Segundo estudo citado pela entidade, a taxação teria evitado a entrada de R$ 4,5 bilhões em produtos importados, preservado mais de 135 mil empregos e garantido quase R$ 20 bilhões na economia. "Não somos contra as importações. Elas são bem-vindas e aumentam a competitividade, mas é preciso que entrem no Brasil em condições de igualdade", completou Alban. Na mesma linha, a Abvtex (Associação Brasileira do Varejo Têxtil) alertou que a medida pode colocar em risco até 18 milhões de empregos ligados ao setor produtivo nacional.
"A decisão institucionaliza a concorrência desleal e escancara a falta de justiça e compromisso com quem gera desenvolvimento e riqueza dentro do Brasil", disse a entidade em comunicado. A associação também classificou a medida como um "grave retrocesso econômico" e alertou para possíveis efeitos como desindustrialização, fechamento de empresas, redução de investimentos e perda de empregos formais.
A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) também se posicionou contra a extinção da "taxa das blusinhas", afirmando que a indústria brasileira já enfrenta altos custos de produção, carga tributária elevada e desafios logísticos. "A retirada da tributação sobre produtos importados de baixo valor tende a aprofundar a concorrência desigual enfrentada pelas empresas nacionais, especialmente pelos pequenos e médios negócios", afirmou a entidade.
A Fiemg ainda citou estudo segundo o qual a manutenção da tributação poderia ter evitado a perda de 1,1 milhão de empregos e a redução de R$ 99 bilhões no faturamento do setor produtivo. A Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção) classificou a medida como "danosa à indústria e ao varejo nacionais". A entidade destacou que cerca de 80% das peças vendidas no país têm valor inferior a US$ 50, faixa agora novamente beneficiada pela isenção.
Em nota, a Abit também alertou que a mudança pode afetar a arrecadação federal, citando que apenas nos primeiros quatro meses de 2026 as encomendas internacionais geraram R$ 1,78 bilhão em tributos. O conjunto de críticas das entidades industriais e do varejo aponta para um cenário de preocupação com a competitividade da produção nacional diante do fim da "taxa das blusinhas", com alertas sobre o impacto nos empregos, na arrecadação e na sustentabilidade das empresas brasileiras.