
Leito de UTI hospitalar - Gil Leonardi/Imprensa MG
O Ministério da Saúde autorizou a abertura de 71 leitos no Sistema Único de Saúde (SUS) em Minas Gerais para o atendimento de pacientes com Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). A medida faz parte de um pacote de nove portarias publicadas nesta semana, que também contempla os estados de Goiás e Rio Grande do Sul, totalizando 561 novos leitos em todo o país.
Dos 71 novos leitos autorizados em Minas Gerais, 16 são para Unidade de Terapia Intensiva (UTI) adulto, 31 de UTI pediátrica e 24 para Leitos de Suporte Ventilatório Pulmonar (LSVP) pediátrico.
As habilitações contemplam os municípios de Unaí, no Noroeste do estado, Janaúba, no Norte mineiro, e São Sebastião do Paraíso, no Sudoeste de Minas, na divisa com São Paulo. O repasse imediato previsto é de R$ 48,7 milhões do total de R$ 150 milhões destinados à estratégia emergencial.
Casos de SRAG associados à influenza dobram no país
Entre janeiro e abril deste ano, foram registrados 6.760 casos de SRAG associados à influenza no Brasil, praticamente o dobro dos 3.374 casos contabilizados no mesmo período do ano anterior. Apesar do crescimento expressivo, as projeções do Ministério da Saúde indicam que o pico de circulação da doença em 2026 deverá ser inferior ao observado em 2025.
Em Belo Horizonte, o aumento de internações por doenças respiratórias tem pressionado o atendimento pediátrico em hospitais particulares. O Neocenter Felício Rocho, referência em assistência infantil da rede privada da capital, no bairro Barro Preto, registrou 16 dos 17 leitos de internação disponíveis ocupados na última terça-feira (26/5), restando apenas uma vaga para crianças. A UTI pediátrica da unidade opera com 38 dos 50 leitos ocupados, capacidade que já havia sido ampliada com a abertura de dez vagas extras para atender à alta demanda típica do período de sazonalidade.
O cenário acende um alerta para o risco de escassez de leitos pediátricos em BH, especialmente diante do aumento de casos graves de bronquiolite, pneumonia e outras doenças respiratórias. Em abril, a Prefeitura de Belo Horizonte decretou situação de emergência em saúde pública em razão do aumento de casos de SRAG. O decreto estabelece que as redes hospitalares que prestam serviços ao SUS devem adotar medidas administrativas para ampliar a capacidade de atendimento, incluindo a disponibilização de leitos. A situação de emergência terá duração de 180 dias e pode ser prorrogada conforme a necessidade.
No mesmo mês, a Prefeitura de Contagem, na Grande BH, também decretou situação de emergência devido à alta em casos de doenças respiratórias. Com o decreto, o município pode adotar ações emergenciais de prevenção, como a ampliação dos atendimentos nas unidades de urgência e emergência. A medida também permite a contratação emergencial de profissionais, a compra rápida de insumos e medicamentos, além da ampliação da rede de atendimento.
Vacinação como estratégia de contenção
O Ministério da Saúde tem reforçado a vacinação, especialmente entre crianças, gestantes e idosos, grupos mais vulneráveis a hospitalizações e mortes por SRAG. Desde o início da campanha, em 28 de março, mais de 53,9 milhões de doses foram distribuídas para todo o país. Até o momento, 27,5 milhões de vacinas já foram aplicadas, sendo 17,6 milhões destinadas ao público prioritário.
A campanha de vacinação segue até 30 de maio, mas a vacina continuará disponível nas unidades de saúde após esse período. O Ministério da Saúde orienta estados e municípios a intensificarem a imunização dos grupos prioritários, com o objetivo de reduzir internações e óbitos causados pela influenza.