
Foto: FMT
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, encerrou nesta sexta-feira (8) uma visita de dois dias a Roma pedindo aos países europeus que ajudem a garantir a segurança no Estreito de Ormuz.
Durante o encontro, Rubio fez críticas diretas ao Irã e cobrou uma posição mais ativa dos aliados europeus diante das tensões na região. Em declarações à imprensa, Rubio afirmou que "o Irã agora alega ser dono de uma hidrovia internacional, que tem o direito de controlá-la... Isso é inaceitável, e eles estão tentando normalizar a situação".
O secretário ainda questionou: "O que o mundo está disposto a fazer a respeito? O mundo vai aceitar que o Irã controle agora uma via navegável internacional?".
O contexto da visita é marcado pelas tensões recentes entre o presidente Donald Trump e líderes europeus. Ainda assim, Rubio se reuniu com a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, considerada uma das aliadas mais próximas de Trump no continente.
Meloni classificou o encontro como "frutífero", "construtivo" e "franco", e afirmou que a conversa permitiu tratar de "inúmeros temas", como as relações bilaterais, a crise no Oriente Médio, a liberdade de navegação, a Líbia, o Líbano e também a Ucrânia.
"Ambos entendemos até que ponto é importante a relação transatlântica, mas também entendemos até que ponto é necessário para cada um defender seus interesses nacionais", disse Meloni.
Além da premiê, Rubio também se reuniu com o chanceler italiano, Antonio Tajani.
Um dos pontos centrais da visita foi a questão das bases militares europeias. Rubio afirmou que Trump ainda não decidiu como responderá aos países europeus, como Itália e Espanha, que negaram autorização para que aviões americanos utilizem seus territórios em operações contra o Irã.
"Se uma das principais razões para os Estados Unidos estarem na Otan é a capacidade de ter forças posicionadas na Europa que possam ser mobilizadas para outras contingências, e agora isso não é mais possível, pelo menos em relação a alguns membros da Otan, é um problema que precisa ser analisado", declarou Rubio em Roma.
O secretário acrescentou que "em última análise, essa é uma decisão que cabe ao presidente (...). Ele ainda não tomou essas decisões". A declaração indica que Washington ainda avalia as consequências diplomáticas das negativas europeias.
Durante a passagem pela Itália, Rubio também se encontrou com o papa Leão XIV, em um gesto voltado a reduzir as tensões recentes entre o pontífice e Trump.
Segundo o secretário, os temas abordados incluíram liberdade religiosa e a ameaça representada pelo Irã. "É importante compartilhar nossos pontos de vista, dar explicações e entender de onde viemos. E achei muito positivo", afirmou Rubio sobre o encontro com o papa.
A visita de Rubio à Roma reforça o esforço americano de pressionar os aliados europeus a adotarem uma postura mais firme em relação ao Irã, ao mesmo tempo em que busca preservar os laços transatlânticos em um momento de relações tensas entre Washington e o continente europeu.