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A pergunta "Quantas crianças mais vão precisar morrer?" foi repetida entre lágrimas por Nahuana de Oliveira Santos, de 21 anos, enquanto aguardava a liberação do corpo do irmão, Ravi Oliveira Dias, de 1 ano e 9 meses, na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Pampulha, em Belo Horizonte. Cerca de duas horas antes, o menino havia sido atingido no pescoço por uma linha com cerol enquanto estava no carrinho de bebê com outra irmã, Nicole Gomes dos Santos, de 18 anos.
O caso aconteceu no início da tarde desta quarta-feira (27/5), em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte. Segundo informações preliminares da Polícia Militar (PM), um motociclista passava pela via quando a linha cortante atingiu a canaleta do veículo e acabou ferindo a criança. Ravi chegou a ser levado pela própria família para a UPA Pampulha, mas não resistiu aos ferimentos.
Nahuana contou que a mãe trabalhava no momento do acidente e passou mal ao receber a notícia da morte do filho. "Ela desmaiou, se machucou. A gente nem sabia como contar", relatou, visivelmente abalada. Segundo a irmã, Ravi estava com Nicole em frente à casa da família, um local que todos consideravam seguro. "Ela estava brincando com ele no carrinho. A moto passou e a linha passou no pescoço dele", contou.
Durante o desabafo, Nahuana criticou o uso de linhas cortantes e disse que o problema já provocava medo entre os moradores da região. "Quantas pessoas mais vão precisar morrer para eles tirarem essa linha? Para que fabricam isso? Para tirar mais vidas inocentes?", questionou. A jovem ainda acrescentou: "Algumas crianças gostam da linha, mas não adianta. Hoje eu perdi meu irmão. Podia ter sido eu. Podia ser qualquer pessoa".
Nahuana descreveu Ravi como uma criança alegre e cheia de vida. "Era muito agitado, uma criança feliz. Onde passava, todo mundo queria brincar com ele. Uma criança muito boa. Morrer assim por causa de uma linha…", lamentou. A morte de Ravi reacende o debate sobre os riscos do cerol e das linhas cortantes, que continuam sendo utilizadas em todo o país e já causaram inúmeras vítimas.