
Foto: José Paulo Lacerda/CNI
A indústria brasileira registrou recuperação em abril, aumentando a produção pela primeira vez em um ano impulsionada pelas novas encomendas de exportação. No entanto, a guerra no Oriente Médio pressionou os preços de insumos e de venda, segundo pesquisa divulgada nesta segunda-feira. O Índice de Gerentes de Compras (PMI) da indústria brasileira, compilado pela S&P Global, avançou para 52,6 em abril, ante 49,0 em março, atingindo o nível mais alto em 14 meses.
O índice utiliza a marca de 50 como divisor entre crescimento e contração. "Abril mostrou-se um mês de desempenho misto para o setor industrial do Brasil. Embora tenha havido um impulso bem-vindo nos volumes de produção, decorrente do aumento da demanda externa, isso foi em grande parte compensado pela persistente fraqueza do mercado doméstico, e o total de novos pedidos voltou a cair", destacou Pollyanna De Lima, diretora associada de economia da S&P Global Market Intelligence.
Os volumes de produção cresceram em abril pelo ritmo mais forte desde março de 2025, impulsionados pela maior demanda por determinados produtos — especialmente nos casos em que os clientes temiam novos aumentos de preços em razão da guerra no Oriente Médio — e por tentativas de reforçar estoques de contingência, conforme os dados qualitativos da pesquisa. A melhora da demanda em abril se concentrou nos mercados externos, com a taxa de crescimento dos novos negócios de exportação chegando ao nível mais alto em um ano e meio.
As tarifas dos Estados Unidos ajudaram algumas empresas a acessar novos mercados, com citações de ganhos na Argentina, Itália, México e Polônia, segundo o levantamento. Apesar disso, o total de novas encomendas registrou declínio pelo 13º mês consecutivo, com os participantes da pesquisa citando desafios econômicos no mercado doméstico, pressões competitivas e fraqueza da demanda interna.
No campo do emprego, os produtores brasileiros aumentaram o número de empregados pelo terceiro mês seguido, no ritmo mais forte desde fevereiro de 2025. Houve clara preferência por contratações em tempo integral, em vez de temporárias, para atender às necessidades do negócio. Um dos fatores que sustentaram as contratações foi a recuperação das expectativas positivas em relação às perspectivas de crescimento, em meio à esperança de um fim para a guerra no Oriente Médio. Em relação aos preços, o conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã elevou as taxas de inflação de insumos e de preços cobrados.
Os produtores de bens buscaram se proteger contra a escassez de materiais comprando itens adicionais em abril, mas enfrentaram pressões de custos que não eram vistas desde a pandemia de Covid-19. Com exceção desse período, a taxa de inflação foi a mais alta já registrada na pesquisa, em meio à elevação dos preços de frete, combustível e petróleo e, subsequentemente, de vários outros materiais, em razão do conflito no Oriente Médio. O mesmo movimento ocorreu com os preços cobrados, embora a taxa de aumento dos preços de venda tenha ficado consideravelmente abaixo da dos custos de insumos, indicando que os fabricantes absorveram uma parcela significativa de seus custos adicionais.