
Fonte: Wikipédia; Plataforma P-51, destinada a produção de petróleo e gás natural.
As exportações de petróleo do Brasil em maio registraram uma queda expressiva, com dados indicando que os embarques podem cair pela metade em relação ao mês anterior. O principal fator é o imposto de exportação de 12% instituído pelo governo brasileiro em março, combinado com o aumento da demanda interna por combustíveis. As informações foram levantadas a partir de dados do governo e de avaliações de integrantes do setor. O imposto de exportação foi uma das medidas adotadas pelo governo para conter os efeitos da disparada dos preços do petróleo, provocada pelo conflito entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã, que gerou interrupções no transporte pelo Estreito de Ormuz.
A taxa foi implementada temporariamente para compensar, por meio de maior arrecadação, renúncias fiscais ligadas a combustíveis, visando manter os preços sob controle e estimular a produção de derivados no país. Até a terceira semana de maio, a média de embarques de petróleo recuou 52%, para 216,7 mil toneladas por dia útil, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Esse ritmo colocaria o Brasil no caminho para fechar o mês com cerca de 4,5 milhões de toneladas exportadas, volume bem abaixo das 8,2 milhões de toneladas registradas em abril e das 9,5 milhões de toneladas de maio do ano passado.
"Todo mundo fugindo do imposto...", disse uma fonte do setor de petróleo, na condição de anonimato, ao ser questionada sobre a queda nos embarques apontada nos dados de exportação do governo. A alta de 58% no preço médio diário do petróleo exportado até a terceira semana de maio foi insuficiente para compensar a retração nos volumes. Em divisas, os embarques brasileiros da commodity somaram US$ 152 milhões ao dia, queda de 24%, segundo a Secex.
"Com o preço em alta, não precisa ser gênio para imaginar que as empresas estão segurando as exportações", afirmou uma das fontes, comentando sobre o impacto da taxa.
Outra fonte com conhecimento das operações da Petrobras, principal produtora de combustíveis do Brasil, destacou que a companhia está operando com o fator de utilização (FUT) da capacidade de refino próximo de 100%. "O FUT subiu, mais petróleo sendo processado internamente. Se as refinarias demandam mais, em tese sobra menos para exportar, né?", disse, na condição de anonimato. Para o analista de inteligência de mercado da StoneX Bruno Cordeiro, grande parte do recuo nas exportações é motivado pelo crescimento do consumo doméstico de petróleo, especialmente a partir de março, com a Petrobras buscando garantir o abastecimento de derivados.
"Essa movimentação aconteceu principalmente pelas refinarias da Petrobras... vimos aumento expressivo da produção de diesel e querosene de aviação, que são os produtos em que o Brasil tem maior exposição ao exterior", disse ele, ressaltando que o consumo de diesel está aquecido com o impulso do agronegócio e da indústria de transformação. Cordeiro acrescentou que "pode ser que os produtores podem estar destinando maior parte do volume para o mercado doméstico, para evitar essa taxação", mas ponderou: "No entanto, acho que esse movimento é mais cenário de esforço das refinarias domésticas para garantir o fornecimento... o que acaba resultando em um menor excedente exportável de petróleo bruto."
O Brasil vinha ampliando as exportações de petróleo à medida que obtinha recordes de produção com novas plataformas em operação nos campos do pré-sal. A produção brasileira registrou recorde pelo segundo mês consecutivo em março de 2026, atingindo 4,25 milhões de barris por dia, alta de aproximadamente 17% em relação ao mesmo período de 2025, segundo dados da agência reguladora ANP.
Em março deste ano, as exportações alcançaram o segundo maior volume da história, com 10,1 milhões de toneladas, ficando atrás apenas de março de 2023, antes que os impactos das medidas governamentais fossem sentidos. A queda projetada para maio ocorre após a Justiça ter suspendido uma liminar obtida pelas petroleiras Shell, TotalEnergies, Equinor, Petrogal e Repsol Sinopec, que as isentava do imposto de exportação. A Petrobras não contestou judicialmente a taxa, e sua presidente-executiva, Magda Chambriard, afirmou que a alta dos preços do petróleo ajuda a mitigar o impacto do imposto sobre a companhia.