
Foto: PT/Reprodução
O deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS), líder do governo Lula na Câmara dos Deputados, criticou a atuação dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) nos Estados Unidos, após o país classificar as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras. Em publicação nas redes sociais na noite desta quinta-feira (28/5), Paulo Pimenta chamou de "traição" ao Brasil a eventual participação de Flávio e Eduardo Bolsonaro na decisão norte-americana, e declarou que "o Brasil não precisa se ajoelhar para combater o crime".
Em seu pronunciamento, Paulo Pimenta alertou para os riscos que a classificação pode trazer ao país. "O que a extrema direita tenta vender como "grande dia" pode abrir caminho para interferência externa, sanções contra o país e uma lógica militarizada sobre um problema que precisa ser enfrentado com inteligência, coordenação e responsabilidade. Ninguém está defendendo facção. Estamos defendendo o Brasil", disse Pimenta.
O deputado também defendeu que a segurança pública não deve ser instrumentalizada para fins eleitorais. Para Paulo Pimenta, o enfrentamento ao crime organizado exige métodos concretos, e não oportunismo político. "Sem facção. Sem entreguismo. Com lei e trabalho concreto", completou o líder do governo. Segundo ele, o caminho correto passa por investigação, inteligência, cooperação internacional, asfixia financeira e presença forte do Estado, e não por "bravata, oportunismo eleitoral ou submissão a interesses estrangeiros".
O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou, nesta quinta-feira (28/5), a classificação do PCC e do CV como organizações terroristas estrangeiras. A medida foi divulgada um dia após o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se reunir com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. Flávio também esteve, durante a mesma semana, com o presidente Donald Trump, ocasião em que afirmou ter tratado do tema das organizações criminosas brasileiras com o líder norte-americano. Após o anúncio da decisão, Flávio Bolsonaro comemorou publicamente nas redes sociais. "Grande dia", escreveu no X. A reação de Paulo Pimenta veio em resposta direta a essa celebração, reforçando a posição do governo Lula de que o combate ao PCC e ao CV deve ser conduzido com responsabilidade e sem interferência de interesses externos.