
Ataque com carro-bomba e emboscada ocorrido no Paquistão
O Paquistão voltou a ameaçar o Afeganistão com "guerra aberta" após um novo atentado no país deixar ao menos nove mortos e 30 feridos. A declaração foi feita nesta quarta-feira (13/5) e acirra ainda mais a relação entre as duas nações vizinhas, já marcada por décadas de tensão.
O ministro da Defesa paquistanês, Khawaja Asif, afirmou que um conflito armado entre os dois países pode se tornar realidade caso o Afeganistão continue "abrigando e apoiando" terroristas que atuam contra o Paquistão. Além disso, Asif acusou a Índia, principal rival geopolítico do Paquistão, de travar uma guerra contra o país utilizando o território afegão como intermediário.
O estopim mais recente para a declaração foi um ataque de homem-bomba ocorrido na terça-feira (12/5) na região de Khyber Pakhtunkhwa, que deixou ao menos nove mortos e 34 feridos. A província, localizada na fronteira com o Afeganistão, é alvo frequente de atentados suicidas.
Poucos dias antes, no sábado (9/5), um ataque a um posto policial na mesma região havia resultado em 15 vítimas fatais. O grupo Tehrik-i-Taliban Pakistan (TTP), também conhecido como Talibã Paquistanês, reivindicou a autoria da ação.
A tensão entre os dois países se arrasta há décadas e envolve disputas fronteiriças e acusações de que o Afeganistão abriga grupos armados contrários ao governo paquistanês. Os conflitos se intensificaram em fevereiro deste ano, quando a capital afegã, Cabul, foi bombardeada pelo Paquistão. Islamabade justificou o ataque como resposta a uma série de ofensivas lançadas pelo Talibã, que governa o Afeganistão desde 2021, contra posições paquistanesas na região de fronteira entre os dois países.
Em março, um cessar-fogo temporário foi alcançado com a mediação do governo da China, mas a situação permanece instável. Os recentes atentados e a retomada das ameaças por parte do Paquistão indicam que a trégua está longe de garantir uma paz duradoura entre os dois vizinhos.