
Foto: Ricardo Stuckert/PR
O senador Rodrigo Pacheco avalia que o cenário eleitoral em Minas Gerais é desfavorável e sua decisão, por ora, é não concorrer ao governo do estado. A posição foi comunicada ao presidente nacional do PT, Edinho Silva, em reunião realizada na noite de terça-feira (12/5), em Brasília. Apesar disso, as portas não foram completamente fechadas: Pacheco ficou de conversar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em uma última tentativa de criar condições ideais para uma eventual candidatura, embora ainda não haja data definida para esse encontro.
O principal temor de Pacheco é a dificuldade de atrair grandes partidos de centro, como o MDB, para compor uma chapa em Minas Gerais, estado onde a direita está melhor posicionada e lidera as pesquisas de intenção de voto. Na avaliação do senador, concorrer apenas com uma coligação de esquerda reduziria significativamente as chances eleitorais. Para Pacheco, somente uma articulação direta de Lula poderia reverter esse quadro, mas esse debate está atrelado a definições políticas em nível nacional e segue travado. Enquanto a indefinição persiste, o PT em Minas precisa de uma resposta logo, inclusive para viabilizar outras candidaturas. Pacheco, no momento, demonstra preferência por um caminho alternativo: ser indicado para uma vaga no Tribunal de Contas da União (TCU), com o apoio do aliado Davi Alcolumbre (União-AP).
O presidente precisa de um palanque competitivo no estado, onde estão em jogo 16 milhões de eleitores e onde as pesquisas apontam disputa acirrada entre ele e o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Diante do cenário, o PT se debruça sobre as alternativas disponíveis. A presidente do partido em Minas, a deputada estadual Leninha, afirmou na terça-feira que, caso Pacheco não seja o candidato, acredita que ele não deixará Lula na mão. Ela mencionou a filiação de dois nomes ao PSB como possibilidades: o ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Josué Gomes, e o ex-procurador-geral de Justiça de Minas Gerais, Jarbas Soares Júnior. Outros petistas buscam opções em quadros internos, citando o nome do ex-deputado estadual André Quintão.
O ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PDT), também aparece como possibilidade, embora seja visto como altamente improvável. Kalil foi o candidato apoiado por Lula ao governo de Minas em 2022, mas após a derrota, os dois acabaram se afastando.
Enquanto o PT enfrenta dificuldades crescentes em Minas, os caminhos para o PL do pré-candidato Flávio Bolsonaro se abriram no estado. Em reunião também realizada na terça-feira, em Brasília, as lideranças do partido alinharam um acordo para concorrer ao lado do senador Cleitinho (Republicanos), que lidera as pesquisas de intenção de voto. A ideia seria o PL indicar o vice de Cleitinho ou mesmo a cabeça de chapa, a depender das articulações futuras. O cenário em Minas Gerais segue em aberto para o campo progressista, enquanto a direita avança na consolidação de sua estratégia eleitoral no estado.