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A pré-candidata ao Senado, Marília Campos (PT), rebateu as especulações sobre uma possível transferência de sua candidatura para a disputa ao governo de Minas Gerais, classificando a pressão como uma manobra política para retirá-la da corrida ao Legislativo. A parlamentar reforçou que uma candidatura petista ao Palácio Tiradentes é inviável no momento e que seu foco permanece no Senado.
"Isso (concorrer ao governo estadual) é desproposital. É fogo amigo de gente que está querendo entrar agora na candidatura e não falou desde o início e, como a minha pegou, está querendo me tirar do jogo. Não tem essa conversa de Lula comigo. Não tem nada marcado", declarou Marília Campos ao Metrópoles, ressaltando que desde o início da disputa eleitoral sempre se apresentou apenas como postulante ao Senado.
Sobre a viabilidade de um candidato interno do PT ao governo mineiro, Marília Campos apontou dois obstáculos centrais. O primeiro é a demora em aguardar uma resposta do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG), que ainda não oficializou sua desistência da disputa, o que dificulta a construção de um nome vindo das fileiras do partido em apenas dois meses.
O segundo problema, segundo ela, é o legado do ex-governador Fernando Pimentel (2015-2018), cuja gestão foi amplamente criticada e colocaria o PT na defensiva durante toda a campanha. Vale lembrar que Pimentel tentou a reeleição em 2018, mas foi derrotado pelo então empresário Romeu Zema (Novo), que contou com o apoio do, na época, candidato à presidência Jair Bolsonaro (PL). Além de Marília Campos, o deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG) também manifestou interesse em concorrer ao Senado. Em um eventual cenário de candidatura ao Palácio Tiradentes, Lopes é apontado como uma das alternativas internas, ao lado do deputado federal Rogério Correia (PT) e da ex-reitora da UFMG, Sandra Goulart.
Quando questionada sobre qual nome o partido deveria apoiar na disputa ao governo estadual, Marília Campos não se comprometeu abertamente, mas fez elogios ao pré-candidato Gabriel Azevedo (MDB). Os dois se reuniram na tarde da última terça-feira (26/5) para discutir uma possível articulação política. "Acho que ele pode ser uma alternativa e acho que o PT tem que conversar com o MDB. Ele tem sintonia com o nosso diagnóstico, tem sintonia com as nossas propostas, tem disposição para defender a candidatura do Lula. Está com 13% nas pesquisas, tem representatividade local, mas pode crescer na campanha", avaliou Marília Campos.
Como a decisão final deverá caber ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a petista sugeriu que o presidente nacional do partido, Edinho Silva, se reúna com o presidente nacional do MDB, o deputado federal Baleia Rossi, para debater os possíveis caminhos na disputa mineira. Internamente, porém, Azevedo é visto com cautela por parte dos filiados, que citam seu histórico de rompimentos com aliados, como o deputado federal Aécio Neves (PSDB), o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT) e o ex-secretário Geral de Minas Gerais Marcelo Aro (PP).
"As pessoas amadurecem na política. Acho que isso não é um problema que não possa ser contornado. Tem que pactuar, não só com o Gabriel, mas em nível nacional, envolvendo o Baleia. A política não pode ser feita por caprichos, com caprichos", respondeu Marília Campos.
Gabriel Azevedo tem buscado ampliar sua base de apoio, conversando com políticos de diferentes partidos. Na última quinta-feira (21/5), ele se encontrou com a presidente do PT mineiro, a deputada estadual Leninha. Nesta quarta-feira (27/5), está previsto um encontro com o ex-deputado federal e ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Odair Cunha, e com o presidente nacional do PSDB, Aécio Neves.
Já em relação ao pré-candidato Alexandre Kalil, que esteve ao lado do PT na disputa ao governo estadual em 2022, Marília Campos afirmou não descartar o nome do pedetista como apoio, mas reconheceu que ele não demonstra interesse em caminhar junto ao partido neste ciclo eleitoral. "O problema é que o Kalil não quer. Não adianta insistir. Nós insistimos tanto com quem não queria e hoje estamos quase sem opção. Tem que agilizar esse processo", concluiu.