
Marcinho VP
A Justiça reconheceu o direito à remição de pena do traficante Márcio Santos Nepomuceno, conhecido como Marcinho VP, uma das principais lideranças do Comando Vermelho (CV). A decisão concede 384 dias de redução da pena com base na escrita de quatro livros, entre eles a obra "A Cor da Lei", lançada em 2025.
A informação foi divulgada pela Academia Brasileira de Letras do Cárcere (ABLC) e confirmada pelo advogado da família. Segundo a ABLC, a medida representa um marco ao reconhecer oficialmente a literatura como instrumento de ressocialização e transformação social dentro do sistema prisional. "Pela primeira vez, a caneta e o papel tornam-se, oficialmente, ferramentas de liberdade reconhecidas pela lei", afirmou a instituição em nota.
Histórico de cumprimento de pena
Marcinho VP está preso há cerca de 29 anos, sendo mais de duas décadas no sistema penitenciário federal sob regime de isolamento e monitoramento integral. Atualmente, ele cumpre pena no Presídio Federal de Mato Grosso do Sul. Em junho do ano passado, fontes do sistema prisional informaram que o detento vinha apresentando comportamento considerado exemplar dentro da unidade, evitando conflitos e seguindo rigorosamente as regras impostas, na expectativa de conseguir progressão de benefícios penais e deixar a prisão ainda neste ano. O processo para eventual soltura, no entanto, é considerado complexo.
Em 2018, Marcinho VP sofreu uma punição disciplinar após se envolver em uma briga dentro do sistema prisional, perdendo 1/3 dos dias que poderiam ser usados para reduzir sua pena, em razão de falta grave. Uma nova perspectiva surgiu em 2024, quando o Superior Tribunal de Justiça (STJ) apontou que Marcinho VP cumpriu pena por um crime do qual foi absolvido. Com base nessa decisão, a defesa busca desconto adicional na pena.
O traficante foi condenado por crimes ligados ao tráfico de drogas e à organização criminosa no Rio de Janeiro. A decisão que reconhece a remição pela produção literária de Marcinho VP reacende o debate sobre o papel da educação e da cultura como ferramentas de ressocialização no sistema penitenciário brasileiro.