
Bilhete escrito pela vítima de violência e o suspeito de agredi-la — Foto: Raquel Freitas e Guarda Civil de Contagem
Uma mulher de 47 anos, vítima de violência doméstica, usou um bilhete escrito às escondidas para pedir socorro em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) de Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, na última sexta-feira (29). No papel, além do pedido de ajuda, a vítima assinou com um "SOS", código universalmente reconhecido em situações de emergência. O ex-marido, Josimar Junio dos Santos, de 42 anos, foi preso pouco depois.
O bilhete dizia: "Me chama para dentro. Da tempo de chamar a polícia, pelo amor de Deus. Chama a polícia para mim, ele está me batendo."
A mensagem foi entregue discretamente a uma enfermeira da unidade, que imediatamente encaminhou a vítima para dentro de uma sala e acionou a Guarda Civil Municipal.
A estratégia da vítima para pedir socorro
Segundo o guarda civil Leonardo Almeida, as agressões tiveram início por volta das 3h da manhã. Josimar, que não aceitava o fim do relacionamento, teria ameaçado matar a mulher durante a madrugada.
Após agredi-la, ele adormeceu, e foi nesse momento que a vítima aproveitou para escrever o bilhete pedindo socorro.
Para conseguir chegar até a UBS sem levantar suspeitas, a mulher alegou ao ex-marido que tinha uma consulta médica marcada. Por volta das 9h, ela foi acompanhada por Josimar até a unidade de saúde no bairro Bela Vista, em Contagem, onde conseguiu entregar o papel a uma enfermeira sem que ele percebesse.
Ao ser atendida pelos agentes da guarda municipal, a vítima estava visivelmente abalada emocionalmente e apresentava marcas das agressões: rosto inchado, lesões na boca e sinais de socos.
"Ela nos informou que vem sendo perseguida pelo homem. Eles moravam juntos há um tempo atrás e ela chegou a mudar de bairro para fugir das agressões", afirmou o guarda civil Leonardo Almeida.
Suspeito foge, mas é localizado e preso
Josimar conseguiu fugir antes da chegada dos agentes da Guarda Civil Municipal, mas foi localizado pouco tempo depois, nas proximidades da casa da vítima.
Tanto o agressor quanto a vítima foram encaminhados à delegacia para o registro do boletim de ocorrência.
Josimar já tinha passagem pela polícia e deverá passar por audiência de custódia, quando a Justiça decidirá se ele será mantido preso ou solto.
Em entrevista à TV Globo, a mulher, que preferiu não se identificar, relatou os momentos de agressão e declarou que "não ficará calada diante de homens violentos".
"Ele bateu na minha cara, pôs a faca no meu pescoço, puxou meu cabelo e falou muitas palavras ruins comigo. Eu não vou permitir isso na minha vida e agradeço muito a ajuda que recebi no posto de saúde", disse a vítima.
O caso evidencia a importância das redes de apoio às vítimas de violência doméstica e a coragem necessária para buscar ajuda em situações de risco extremo.
Josimar aguarda a decisão judicial sobre sua situação após a audiência de custódia.