
Começam a ser julgados nesta terça-feira (23) Monique Medeiros e Jairo Souza Santos Júnior (Dr. Jairinho), mãe e padrasto de Henry Borel
O julgamento do caso Henry Borel foi retomado nesta quarta-feira (27) no Rio de Janeiro, com o depoimento do psiquiatra Rafael Bernardon como terceira testemunha de acusação. O especialista apresentou uma análise do comportamento dos réus, o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Jairinho, e Monique Medeiros, mãe do menino Henry.
Durante seu depoimento, Bernardon afirmou que buscou identificar padrões de comportamento e de dinâmica de personalidade dos réus para auxiliar o Conselho de Sentença na compreensão do caso. "Eu percebi que há um padrão repetitivo de abuso infantil por parte do réu [Jairinho], um padrão de prazer em infligir dor em crianças", disse o psiquiatra.
Em parecer anexado ao processo, o psiquiatra afirmou que Jairinho apresenta "características de uma personalidade narcisista, perversa e sádica". Segundo o especialista, o réu demonstrava comportamento agressivo e violento em ambientes privados e teria prazer em "infligir dor nos filhos de suas companheiras".
Sobre Monique, Bernardon afirmou que ela não seria subjugada por Jairinho. Segundo o especialista, Monique "subordina sistematicamente o bem-estar de seu filho aos seus próprios interesses narcísicos e ambições materiais" e não afastou a criança da situação de abuso, apesar dos "múltiplos sinais de alarme".
Babá promete "falar tudo"
O depoimento da babá Thayná Ferreira foi remarcado após atrasos no andamento do julgamento. Inicialmente previsto para esta quarta-feira, a oitiva da testemunha deve acontecer apenas nos próximos dias.
Em entrevista ao g1, a advogada Juliana Nascimento, que representa Thayná, afirmou que a babá pretende esclarecer as diferentes versões apresentadas por ela ao longo do processo.
Segundo a advogada, Thayná sofreu pressão para mentir durante a investigação do caso.
"A Thayná responde a um processo de falso testemunho, ela foi coagida e pressionada a mentir pela Monique, que pediu a ela para apagar mensagens (do celular). Por medo, a Thayná não revelou tudo", explicou a advogada. "Estou a acompanhando para que ela possa se retratar (sobre as diferentes versões do caso). Thayná está pronta para falar tudo", afirmou Juliana Nascimento.
O g1 entrou em contato com a defesa de Monique, que ainda não se pronunciou sobre as declarações da advogada de Thayná.
Atrasos devem ampliar duração do júri
Em dois dias de julgamento, apenas o delegado Henrique Damasceno, responsável pela investigação do caso, e a delegada Ana Carolina Lemos foram ouvidos. O interrogatório de Damasceno se estendeu por horas e atrasou o cronograma previsto para as demais testemunhas da acusação.
Além dos dois delegados, também estão previstos os depoimentos do perito do Ministério Público Luis Carlos Leal Prestes e do médico-legista Luis Ayrton Saavedra. A demora nos depoimentos já deve provocar remarcações de outras testemunhas e pode ampliar a duração do julgamento, inicialmente previsto para durar entre cinco e sete dias.
Sobre a mudança na data do depoimento da babá, a advogada Juliana Nascimento afirmou que "estamos aguardando quando será remarcado o depoimento dela".
Babá já apresentou três versões
O depoimento de Thayná é considerado um dos mais importantes do processo, pois a babá apresentou versões distintas ao longo da investigação sobre a morte de Henry.
Na primeira vez em que falou à polícia, em março de 2021, ela afirmou que nunca percebeu nada de anormal na relação de Jairinho e Monique com o menino. Em um segundo depoimento, dado no mês seguinte, Thayná disse que Monique sabia das agressões sofridas por Henry e que teria pedido para que ela mentisse à polícia. Na ocasião, a babá afirmou que soube de três episódios de agressão contra o menino.
Já durante a audiência de instrução do caso, Thayná mudou novamente a versão e declarou que não sabia das agressões praticadas por Jairinho, afirmando também que se sentia manipulada por Monique.
O julgamento segue com Jairinho e Monique Medeiros como réus, acusados de tortura e homicídio qualificado pela morte do menino Henry Borel.