EUA dizem que acordo com Irã será “significativo” ou não acontecerá

presidente dos Estados Unidos, Donald Trump
Trump diz que acordo com o Irã será "excelente" ou não haverá nenhum, enquanto Teerã alerta que acordo ainda está longe
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (25/5) que o acordo com o Irã será "excelente e significativo" ou "não há acordo algum". O secretário de Estado americano, Marco Rubio, reforçou a posição ao declarar que os EUA chegarão a um bom acordo com o Irã ou lidarão com o país "de outra forma". Ao mesmo tempo, o regime persa alertou que, apesar dos avanços registrados nas negociações no último fim de semana, ambos os lados ainda estão distantes de um entendimento definitivo.
A guerra foi desencadeada pelos ataques dos EUA e de Israel contra a República Islâmica em 28 de fevereiro, levando ao fechamento quase completo do Estreito de Hormuz, a bombardeios iranianos contra países da região e ao aumento dos preços de energia. Desde 8 de abril, as forças americanas e iranianas mantêm um cessar-fogo, enquanto as negociações diplomáticas seguem em busca de uma saída para o conflito.
Rubio afirmou que os EUA darão à diplomacia todas as chances de sucesso antes de explorar as "alternativas". Há "algo bastante sólido em jogo no que diz respeito à capacidade deles de abrir Ormuz, conseguir que o estreito seja aberto, entrar em uma negociação muito real, significativa e com prazo determinado sobre a questão nuclear, e esperamos conseguir isso", declarou o secretário.
Ele acrescentou que Trump "não tem pressa, não vai fazer um mau negócio (nem) vai assinar um mau acordo".
As declarações de Rubio geraram um tímido otimismo nos mercados, fazendo os preços do petróleo recuarem cerca de 5% nesta segunda-feira. O barril de Brent do Mar do Norte e o West Texas Intermediate (WTI) eram negociados por menos de US$ 100 no início da manhã, embora os preços ainda se mantenham elevados em comparação com as cotações anteriores à guerra.
Do lado iraniano, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmail Baqai, foi mais cauteloso. "É verdade que chegamos a uma conclusão em grande parte dos temas em discussão", declarou o porta-voz. "Mas afirmar que a assinatura de um acordo é iminente é algo que ninguém pode sustentar", acrescentou.
As autoridades iranianas também deixaram claro que as negociações sobre o programa nuclear de Teerã só ocorrerão em uma etapa posterior, após um acordo inicial, contrariando a exigência americana de encerramento imediato do enriquecimento de urânio.
No plano diplomático, Trump conversou por telefone no sábado com líderes da Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar, Egito, Jordânia e Bahrein, além de representantes da Turquia e do Paquistão.
Nesta segunda-feira, o primeiro-ministro paquistanês Shehbaz Sharif e o comandante do Exército de Islamabad, Asim Munir, que visitaram Teerã no sábado, se reuniram com líderes chineses em Pequim, incluindo o presidente Xi Jinping e o primeiro-ministro Li Qiang. O Paquistão lidera as negociações entre as partes.
Segundo o canal estatal paquistanês PTV, Sharif afirmou em Pequim que "o mundo enfrenta um momento crítico". "As coisas estão avançando na direção correta. Gostaria de agradecer o apoio da China para promover a paz", acrescentou o premiê.
Apesar dos esforços diplomáticos, o Irã continua bloqueando a navegação no Estreito de Hormuz, enquanto os americanos mantêm o bloqueio aos portos da República Islâmica.
Rubio reconheceu que as expectativas de um anúncio rápido não se confirmaram.
"Pensávamos que talvez tivéssemos notícias ontem à noite (domingo), ou talvez hoje (segunda-feira), mas eu não daria muita importância a isso", disse o secretário, referindo-se ao possível acordo.
O cenário atual indica que, apesar dos avanços parciais, as negociações entre Washington e Teerã ainda têm um longo caminho a percorrer antes de um desfecho concreto.