
Autoridades do Irã e dos Estados Unidos chegaram a um acordo sobre um memorando de entendimento para estender o cessar-fogo entre os países por 60 dias e aprofundar as discussões sobre o programa nuclear iraniano. No entanto, o acordo ainda aguarda a aprovação do presidente americano Donald Trump. As informações foram divulgadas pelo jornal Axios, com base em dois oficiais estadunidenses e um intermediário das negociações.
A extensão do cessar-fogo, em vigor desde 8 de abril, surge em um momento de alta tensão no Oriente Médio, com EUA e Irã trocando ataques nos últimos dias, nos confrontos mais graves desde que a trégua foi estabelecida.
Negociações diplomáticas
Irã e Estados Unidos vêm tentando construir um acordo diplomático para encerrar o conflito no Oriente Médio, com a intermediação do Paquistão. Segundo o Axios, as partes chegaram a um entendimento na terça-feira (26/5), mas ainda faltavam as aprovações das respectivas lideranças.
Os negociadores iranianos obtiveram o aval da liderança persa, conforme a reportagem, embora o Irã não confirme oficialmente a informação. Do lado americano, os negociadores afirmaram ter transmitido a proposta a Trump, que teria pedido alguns dias para deliberar sobre o assunto.
Detalhes do acordo
As autoridades americanas informaram ao jornal que o memorando prevê que a navegação pelo Estreito de Ormuz será "sem restrições", sem cobrança de pedágio por parte do Irã. Além disso, o bloqueio naval dos Estados Unidos contra navios ligados a portos iranianos também seria suspenso.
Caso Trump aprove o memorando, as partes deverão discutir, ao longo dos 60 dias de cessar-fogo, a questão do enriquecimento de urânio pelo Irã. Os Estados Unidos acusam o país persa de buscar o desenvolvimento de armas nucleares, enquanto o Irã sustenta que enriquece urânio para fins civis, como avanços na medicina e na área de energia.
EUA e Irã trocam ataques apesar da trégua
Os avanços diplomáticos não impediram que os países trocassem ataques na quarta e quinta-feira. Os Estados Unidos atingiram uma estação de controle no porto de Bandar Abbas na quarta-feira (27/5), alegando que a base estava lançando drones iranianos contra instalações americanas na região. "Essas ações foram calculadas, puramente defensivas e visavam manter o cessar-fogo", afirmou um oficial americano à Reuters.
O Irã respondeu na quinta-feira. A agência Tasnim, ligada à Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC), informou que forças iranianas dispararam contra um petroleiro americano que tentava atravessar o Estreito de Ormuz, forçando-o a recuar. A IRGC também afirmou ter alvejado bases militares americanas no Oriente Médio, sem especificar o país.
O cenário atual reflete a fragilidade da trégua entre as duas potências: enquanto diplomatas trabalham para consolidar um acordo formal, militares de ambos os lados continuam em confronto direto, elevando o risco de uma escalada no Oriente Médio.