
Aferição | Medição da pressão arterial | Hipertensão - Foto: Kurhan / stock.adobe.com
A Hipertensão arterial segue avançando no Brasil e já compromete quase um terço da população adulta do país. Dados do Vigitel 2025, levantamento anual do Ministério da Saúde, indicam que a prevalência da doença saltou de 22,6% em 2006 para 29,7% em 2024, representando um crescimento de 31% em menos de duas décadas.
O quadro preocupa especialistas sobretudo porque cerca de metade dos brasileiros com Hipertensão ainda desconhece o próprio diagnóstico. Classificada como uma doença silenciosa, a condição figura entre os principais fatores de risco para infarto, acidente vascular cerebral (AVC), insuficiência cardíaca, insuficiência renal e demência vascular.
Diagnóstico tardio eleva o risco cardiovascular
O impacto da demora no diagnóstico foi reforçado por um estudo publicado no ano passado na revista científica JAMA Network Open. De acordo com a pesquisa, pacientes diagnosticados com Hipertensão mais de um ano após apresentarem medições elevadas consecutivas tiveram risco aproximadamente 29% maior de desenvolver eventos cardiovasculares graves, como infarto, insuficiência cardíaca e AVC isquêmico.
O avanço da Hipertensão acompanha outras mudanças no perfil de saúde da população brasileira. Ainda segundo o Vigitel, no mesmo período em que os casos de pressão alta cresceram 31%, a obesidade avançou 118% e os diagnósticos de diabetes aumentaram 135%. Atualmente, 62,6% dos adultos brasileiros estão acima do peso.
Novas diretrizes mudam a classificação da pressão arterial
Entre os principais fatores de risco modificáveis para Hipertensão estão o consumo excessivo de sal, a baixa ingestão de frutas e vegetais, o sedentarismo, a obesidade, a resistência à insulina, o consumo frequente de álcool e os distúrbios do sono.
Diante do avanço da doença, a Sociedade Brasileira de Cardiologia, em conjunto com as sociedades brasileiras de Hipertensão e Nefrologia, atualizou em 2025 os parâmetros nacionais para diagnóstico e acompanhamento da pressão arterial. Com a publicação da 9ª Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial, a pressão de 120/80 mmHg, antes considerada normal, passou a ser classificada como pressão elevada ou pré-hipertensão. Pela nova orientação, apenas valores abaixo desse patamar são considerados ideais.
Sintomas que podem indicar emergência médica
Embora a Hipertensão não apresente sintomas na maior parte dos casos, alguns sinais podem indicar uma emergência médica e exigem atendimento imediato. Entre eles estão dor de cabeça intensa, falta de ar, dor no peito, visão embaçada, sangramento nasal, confusão mental e fraqueza ou dormência em um dos lados do corpo. Pressão arterial igual ou superior a 180/110 mmHg é considerada situação de emergência. A recomendação é que adultos acima de 20 anos realizem a aferição da pressão arterial ao menos a cada dois anos. A partir dos 40 anos, ou antes em pessoas com fatores de risco, o acompanhamento deve ser anual.