
Começam a ser julgados nesta terça-feira (23) Monique Medeiros e Jairo Souza Santos Júnior (Dr. Jairinho), mãe e padrasto de Henry Borel
O ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Jairinho, solicitou mais um adiamento do julgamento relacionado à morte de Henry Borel, de 4 anos, criança da qual era padrasto. O pedido foi feito após a defesa alegar que um dos advogados da equipe sofreu um infarto antes da data do júri.
O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) retomou, às 9h desta segunda-feira (25/5), o julgamento de Jairinho e de Monique Medeiros — mãe de Henry Borel — ambos suspeitos da morte do menino, ocorrida em 8 de março de 2021. A sessão foi realizada no 2º Tribunal do Júri da Capital, no Centro do Rio.
Durante a sessão, Jairinho anunciou a destituição do advogado Fabiano Tadeu Lopes, que sofreu um infarto dias antes do júri e não compareceu ao tribunal. Ao se justificar, o ex-vereador afirmou que havia pedido para que o júri fosse mantido, mas alegou ter sido informado sobre o estado de saúde do advogado somente após confirmar a data do julgamento.
Segundo Jairinho, Fabiano Lopes é o profissional com maior conhecimento sobre três processos sob sigilo que envolvem pessoas que deverão prestar depoimento ao longo do julgamento. O réu argumentou ainda que não teria condições de exercer plenamente seus direitos de defesa diante da ausência do advogado.
Promotor quer seguir com o júri
Ao se pronunciar no plenário, o promotor Fábio Vieira dos Santos lembrou que o julgamento já havia sido interrompido em 23 de março, quando a defesa de Jairinho abandonou a sessão para forçar o adiamento. O promotor afirmou que o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) deseja prosseguir com o julgamento, mesmo diante do novo obstáculo apresentado pelo réu. Segundo Fábio, se necessário, o julgamento poderia continuar abrangendo apenas a acusação contra Monique. No entanto, o promotor considerou mais adequado que os dois réus sejam julgados em conjunto, ressaltando que isso atenderia aos critérios da lógica processual.
O crime que marcou o país
Henry Borel morreu na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro, na madrugada de 8 de março de 2021, no apartamento onde vivia com a mãe, Monique Medeiros, e o padrasto. À época, os dois alegaram que a criança havia sido encontrada desacordada no imóvel. Henry foi levado ao hospital, mas os profissionais de saúde constataram a morte por hemorragia interna e laceração hepática. A partir daí, uma investigação complexa foi iniciada para esclarecer o que teria ocorrido dentro do apartamento. Os réus sustentam a versão de que houve um acidente doméstico. No entanto, o laudo do Instituto Médico-Legal (IML) invalidou essa versão ao constatar 23 lesões pelo corpo da criança. O caso de Henry Borel segue marcado por sucessivos adiamentos, e a retomada do julgamento permanece incerta diante dos novos pedidos apresentados pela defesa de Jairinho.