
Homem de 45 anos foi preso no apartamento da jovem três meses após o crime - Foto: Divulgação
O namorado de Giovanna Neves Santana Rocha enviou um áudio para as amigas dela afirmando: "Ela morreu nos meus braços", conforme revelou a investigação da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), divulgada nesta terça-feira (19).
A delegada responsável pelo caso, Ariadne Elloise Coelho, aponta uma contradição direta nessa afirmação: quem acionou a polícia no dia em que Giovanna, de 22 anos, foi encontrada morta foi uma amiga da jovem, e não o namorado. O suspeito, de 45 anos, foi preso temporariamente na última sexta-feira (15).
Giovanna foi encontrada sem vida no dia 9 de fevereiro dentro do apartamento onde morava, no Bairro Savassi, Região Centro-Sul de Belo Horizonte, por uma amiga com quem havia marcado um almoço naquele dia.
Inicialmente, a morte foi interpretada como autoextermínio, mas o caso passou a ser investigado como homicídio após o laudo de necropsia indicar que Giovanna sofreu asfixia por sufocação direta.
A delegada ressalta que, desde o início, as amigas da vítima suspeitaram que não se tratava de suicídio. Além disso, "em observância às tratativas internacionais e nacionais sobre morte de mulheres, não se pode descartar um possível feminicídio de antemão", explicou Ariadne Elloise Coelho, titular do núcleo especializado de investigação de feminicídios vinculado ao Departamento Estadual de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
O namorado suspeito
O namorado de Giovanna, servidor concursado com formação em tecnologia da informação, foi preso na última sexta-feira (15) como suspeito de ter cometido o crime.
A investigação apurou que o relacionamento entre os dois teve início em outubro de 2024. Segundo a delegada Ariadne Elloise Coelho, já no primeiro mês de namoro o suspeito passou a morar no apartamento de Giovanna sem ter sido convidado, levando seus pertences aos poucos.
Logo no início, ele também transferiu as contas do condomínio para o seu próprio nome.
"As amigas, familiares e a mãe da vítima falam que ela mudou totalmente o comportamento a partir do momento que teve um relacionamento com o investigado. Ou seja, era uma menina interessada, engajada na questão acadêmica, fazia duas faculdades — uma de psicologia e outra de gestão da saúde — era vaidosa, tinha um engajamento muito forte no feminismo e, a partir do momento [que inicia o namoro], ela se retrai socialmente, muda até o tipo de roupa que usa", relatou a delegada responsável pelo caso.
A delegada afirma que o suspeito passou a exercer controle sobre a vida de Giovanna. Segundo Ariadne Elloise Coelho, ele levava os filhos que tinha com outra mulher para o apartamento da vítima, mesmo sem o consentimento dela.
Porteiros do prédio também relataram que, cerca de um mês após a morte da estudante, o homem passou a levar outras mulheres ao imóvel e teria impedido a entrada de pessoas ligadas à vítima.
Outras ações do suspeito após a morte de Giovanna também chamaram a atenção das autoridades.
"Ele ajuizou uma ação de reconhecimento de união estável pós-mortem. Ele mandou vários áudios para amigas [da vítima], inclusive para uma delas de forma mais insistente, até intimidatória, para que ela o ajudasse nesse reconhecimento formal da união estável", disse a delegada.
A ação foi ajuizada no dia do enterro da vítima.
O laudo de necropsia
Os indícios levantados durante a investigação foram corroborados pelo resultado do laudo de necropsia, que confirmou a ocorrência de asfixia por sufocação direta.
"Houve obstrução externa dos orifícios respiratórios, seja por meio de um travesseiro, seja por meio das próximas mãos", explicou Ariadne Elloise Coelho.
Conforme a delegada, há indícios de que o homicídio teve motivações patrimoniais.
A polícia também apura informações de que Giovanna teria cerca de R$ 200 mil a receber em decorrência de uma negociação imobiliária.
O caso segue sendo investigado pelas autoridades de Minas Gerais.