
Embarcação "Madleen" da Freedom Flotilla (Flotilha da Liberdade) navegando em direção à Faixa de Gaza - © gazafreedomflotilla/Instagram/Arquivo
Os organizadores da nova flotilha para Gaza, que partiu da Turquia na semana passada, denunciaram nesta segunda-feira (18) que embarcações foram interceptadas por navios militares de Israel nas proximidades do Chipre. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, confirmou a operação e parabenizou as forças navais por frustrarem o que chamou de "plano mal-intencionado". "Navios militares estão atualmente interceptando nossa flotilha e as forças israelenses estão embarcando no primeiro dos nossos barcos em plena luz do dia", publicou a flotilha Global Sumud na rede social X, pedindo passagem segura para a missão humanitária.
Gorkem Duru, membro da ala turca do movimento que não estava a bordo, confirmou que "temos certeza de que pelo menos dois ou três barcos" foram parados, mas acrescentou que outros continuavam o trajeto rumo a Gaza. Segundo ele, "as comunicações com os navios foram cortadas". O militante Suayb Ordu, que estava a bordo de uma das embarcações, afirmou à TV turca que os ativistas "não tiveram outra escolha senão (...) se render pacificamente, sem oferecer resistência". Outro integrante da flotilha, Omer Aslan, relatou ter presenciado soldados israelenses equipados com "armas de cano longo".
Um comunicado divulgado pelo gabinete de Netanyahu revelou que o premiê enviou uma mensagem ao comandante da Marinha israelense à frente da operação, declarando: "vocês estão conduzindo esta operação com um sucesso notável (...) Continuem até o fim". Netanyahu ainda afirmou: "vocês estão frustrando um plano mal-intencionado concebido para romper o bloqueio que impusemos aos terroristas do Hamas em Gaza".
Horas antes da interceptação, o Ministério das Relações Exteriores de Israel havia advertido que o país "não permitirá qualquer violação do bloqueio naval legal imposto a Gaza", pedindo que todos os participantes "mudem de rumo e retornem imediatamente". Quase 50 barcos zarparam em 14 de maio do sudoeste da Turquia como parte da nova flotilha da Global Sumud.
O governo turco condenou a "intervenção das forças israelenses em águas internacionais", classificando-a como um "novo ato de pirataria". O governo israelense, por sua vez, criticou a tentativa de romper o bloqueio e apontou a participação de "dois grupos turcos violentos — Mavi Marmara e IHH, este último designado como organização terrorista". O Ministério das Relações Exteriores israelense afirmou ainda que "o objetivo é servir ao Hamas, desviar a atenção da recusa ao desarmamento (do grupo) e prejudicar os avanços do plano de paz do presidente (americano) Donald Trump".
Esta é a terceira tentativa em um ano de romper o bloqueio israelense imposto à Faixa de Gaza, devastada pela guerra iniciada com o conflito entre Israel e o movimento palestino Hamas em outubro de 2023. As autoridades israelenses rejeitam as acusações de escassez de ajuda humanitária e insistem que o território está "inundado" de assistência. No último 30 de abril, as forças israelenses já haviam interceptado embarcações da flotilha Global Sumud em águas internacionais, na costa da Grécia. A maioria dos ativistas foi liberada rapidamente na ilha de Creta.
Dois ativistas, no entanto, foram detidos: o brasileiro Thiago Ávila e Saif Abu Keshek, de origem palestina e nacionalidade espanhola, que foram levados para Israel. Após vários dias de detenção e interrogatórios, ambos foram expulsos em 10 de maio. Várias ONGs denunciaram detenções ilegais e afirmaram que os dois sofreram maus-tratos durante o encarceramento. As autoridades israelenses rejeitaram as acusações, mas decidiram não abrir processo contra os ativistas.