
Flávio Bolsonaro (PL-RJ) • Carlos Moura/Agência Senado
Após o vazamento de áudios envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, o senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), desembarcou em São Paulo para uma série de reuniões fechadas. As agendas tiveram início na quarta-feira (20) e devem se estender até sexta-feira (22). A equipe de campanha não divulgou detalhes sobre os encontros, mas a Itatiaia apurou que parte das reuniões envolve representantes da Faria Lima, avenida da capital paulista que concentra os principais integrantes do mercado financeiro do país.
Diferentemente de outros momentos da pré-candidatura, os encontros não seguem o formato de grandes reuniões com vários executivos simultaneamente. As agendas girariam em torno de conversas mais reservadas e estratégicas para o pré-candidato.
No dia em que as conversas entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro vieram a público, o mercado financeiro reagiu de forma negativa. O dólar disparou e fechou o dia acima dos R$ 5, enquanto o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, registrou queda. Desde então, o mercado tem adotado uma postura de prudência e evitado manifestações contundentes sobre a pré-candidatura da direita. Desde o aquecimento inicial da pré-campanha, o mercado financeiro deu diversas sinalizações de que enxergava com bons olhos o nome do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), para disputar o Palácio do Planalto.
Fontes disseram à Itatiaia que representantes do setor consideram Tarcísio um candidato de direita mais moderado em relação ao senador Flávio Bolsonaro. A preocupação de alguns integrantes da Faria Lima era de que Flávio Bolsonaro, caso eleito, pudesse repetir comportamentos do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, dando declarações intempestivas ou tomando atitudes que prejudicassem o mercado.
Em dezembro do ano passado, após um encontro com representantes da Faria Lima em São Paulo, Flávio afirmou que se apresentou aos empresários como um "Bolsonaro mais moderado, equilibrado e centrado" e ressaltou que terá nomes na economia "com autonomia para fazer o que precisa ser feito para modernizar país, recuperar equilíbrio fiscal e trazer investimentos". Na mesma ocasião, o senador também afastou os rumores de que existia um ambiente de hostilidade entre ele e Tarcísio de Freitas, buscando demonstrar que a direita pode se apresentar de forma unida ao eleitorado.