
EDILSON RODRIGUES/AGENCIA SENADO
O senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), voltou a associar o PT a uma tentativa de bloquear a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Banco Master. A ofensiva ganhou novo fôlego após seu aliado político, Ciro Nogueira (PP-PI), presidente do PP, ser alvo da 5ª fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, responsável pela investigação do caso Master.
Em vídeo publicado no Instagram, o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou que os deputados do PT não assinaram o pedido de abertura da comissão. "Sabe o que é curioso? O pai do Lulinha pode aparecer a qualquer momento dizendo que apoia a CPI do Banco Master. Mas, deixa eu te contar o que ele não fala. O PT foi contra a CPI. Os deputados do PT não assinaram. Só que agora não dá mais para segurar. Aí, vem o teatro", declarou Flávio Bolsonaro.
Na sequência, Flávio Bolsonaro citou nomes ligados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que teriam recebido dinheiro do banco, entre eles Rui Costa, ex-ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, líder do governo no Senado, Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda, e Ricardo Lewandowski, ex-ministro da Justiça. "Rui Costa foi governador da Bahia, onde todo o rolo do Banco Master começou. A verdade é simples. O PT não quis investigar. Tentou travar, mas não conseguiu. A oposição assinou. Eu assinei. E agora a CPI vai sair. Eles querem pagar de bonzinhos? Não cola. Quem tentou esconder, agora não pode posar de herói.
O Brasil está vendo", afirmou o senador. Embora o líder do governo na Câmara dos Deputados, Paulo Pimenta (PT-RS), tenha defendido a criação de uma CPI e de uma CPMI — composta por deputados e senadores — para investigar os negócios do Master, os parlamentares do PT não assinaram a coleta de assinaturas para a CPMI. Nos últimos dias, petistas mudaram de posição e passaram a defender a instalação de uma comissão investigativa.
"Defendo que o Congresso Nacional dê uma resposta firme ao Brasil: não pode haver qualquer suspeita de acordão para abafar as investigações do Banco Master", declarou Pimenta, logo após a operação da PF mirar Ciro Nogueira, ex-ministro da Casa Civil do governo Bolsonaro. Para ser instalada no Senado ou no Congresso, uma CPI ou CPMI precisa ser oficializada pelo presidente do Legislativo, o senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). A defesa de um colegiado investigativo havia ganhado força entre aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro após a divulgação da suposta relação entre o Master, liquidado pelo Banco Central, e o escritório de advocacia da esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.