
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) declarou que não tinha obrigação de informar previamente seus aliados sobre sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro e sobre a cobrança de valores destinados, segundo ele, ao filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A declaração foi feita no quartel-general da Polícia Militar do Rio de Janeiro, onde o senador participou da entrega de armamentos e viaturas adquiridas por emenda parlamentar de sua autoria.
"Não tem absolutamente nada de errado. Não tenho que justificar nada para ninguém. Foi uma época lá atrás que eu busquei um investidor, quando Vorcaro circulava por todas as rodas, patrocinava eventos de várias emissoras de televisão, circulava entre autoridades. Era uma pessoa até cortejada em todo o Brasil. Foi nessa época que ele topou fazer um investimento privado num filme privado. Não tem nada além disso", afirmou Flávio Bolsonaro.
O senador também descartou considerar o aporte de Vorcaro um tema sensível. "Sensível por quê? Foram investimentos privados. Você comprou um carro, tem que falar para todo mundo? Você investiu um rendimento no seu banco tem que falar para todo mundo?", questionou.
O fato de Flávio Bolsonaro ter afirmado publicamente e em conversas reservadas, em março, que não conhecia Vorcaro gerou uma quebra de confiança entre aliados e integrantes da direita. Para esses aliados, o problema central foi o senador ter negado qualquer relação com Vorcaro tanto para seus próprios correligionários quanto publicamente. Um áudio revelado mostra Flávio Bolsonaro chamando o dono do Master de "irmão".
Mensagens trocadas entre os dois também demonstram proximidade, incluindo uma conversa sobre um jantar na casa do ex-banqueiro, o que contradiz as declarações anteriores do senador sobre não ter nenhum vínculo com Vorcaro.