
Bruno Peres/Agência Brasil
O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) voltou a defender a instalação de uma CPMI para investigar o Banco Master durante a sessão conjunta do Congresso Nacional desta quinta-feira (21/5). Na tribuna, criticou o PT como o "lado da corrupção" e minimizou o contato que teve com Daniel Vorcaro para financiar o filme cinebiográfico de Jair Bolsonaro (PL). A declaração ocorre em meio à crise que abala a pré-campanha de Flávio Bolsonaro após o Intercept Brasil revelar a relação entre o filho mais velho do ex-presidente e o banqueiro na produção do filme "Dark Horse".
Como antecipado pelo colunista do Metrópoles Igor Gadelha, o senador visitou Vorcaro em sua residência após o banqueiro ser preso pela primeira vez, em novembro de 2025. Ao tentar se distanciar das fraudes financeiras atribuídas a Vorcaro, Flávio Bolsonaro argumentou que os repasses destinados ao filme, que podem chegar a R$ 61 milhões, são "recursos privados" e que, à época, as empresas do banqueiro eram "exemplos de compliance". Ao mesmo tempo, disparou críticas contra a esquerda, afirmando que ela "entende muito de corrupção".
"Esse é o lado, o lado da corrupção, do outro lado está o filme do presidente Bolsonaro que teve investimentos privados de alguém que, na época, não tinha absolutamente nada que possa desabonar a sua conduta, inclusive era premiado, as suas empresas premiadas como exemplos de compliance", declarou o senador. O episódio gerou embate direto no plenário. O ex-líder da bancada do PT, Lindbergh Farias (RJ), afirmou que Flávio Bolsonaro não explicou os áudios em que chama Vorcaro de "irmão". Em resposta, o senador reagiu com "seu chefe é ladrão" e "toma vergonha, rapaz".
Em meio à crise, Flávio Bolsonaro deverá viajar aos Estados Unidos na próxima semana para tentar uma agenda com o presidente Donald Trump. A iniciativa é vista como uma tentativa de reforçar o alinhamento do pré-candidato ao trumpismo e retomar pautas consideradas "positivas" para sua campanha. O encontro é articulado pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, e pelo ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro. Até o momento, não há confirmação oficial da Casa Branca sobre a reunião em Washington D.C.