
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta segunda-feira (4) uma operação militar para desbloquear navios parados há dois meses no Estreito de Ormuz. A ação, batizada de "Project Freedom" ("Projeto Liberdade"), envolve destróieres lança-mísseis, mais de cem aeronaves e 15.000 soldados, segundo o comando militar americano para o Oriente Médio (Centcom). Segundo Trump, a Marinha dos Estados Unidos escoltará navios de países "que nada têm a ver com o conflito no Oriente Médio".
O presidente americano classificou a decisão como "um gesto humanitário" e de "boa vontade" em favor dos marinheiros afetados pelo fechamento da passagem estratégica. Caso a operação seja obstruída pelo Irã, os EUA vão "usar a força", afirmou Trump, que ao mesmo tempo elogiou discussões "muito positivas" com Teerã, mediadas pelo Paquistão.
O Irã respondeu com ameaças diretas ao Exército americano. "Qualquer força armada estrangeira, em particular o Exército americano, que se aproxime do Estreito de Ormuz ou entre nele, será alvo de ataque", declarou o general Ali Abdollahi, chefe do comando das Forças Armadas iranianas. O presidente da comissão de Segurança Nacional do Parlamento iraniano, Ebrahim Azizi, já havia alertado que qualquer intervenção americana no Estreito seria considerada uma violação do cessar-fogo, em vigor desde 8 de abril.
Desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, o Irã bloqueia o Estreito de Ormuz, por onde normalmente transita um quinto do consumo mundial de petróleo. Washington respondeu no início de abril bloqueando os portos iranianos. Nesta segunda-feira, o presidente francês Emmanuel Macron pediu a reabertura do Estreito de Ormuz após "concertação" entre "o Irã e os Estados Unidos", demonstrando ceticismo quanto à nova operação lançada por Trump, que, segundo ele, é desprovida de "clareza".
O bloqueio do Estreito de Ormuz fez disparar os preços do petróleo ao maior nível desde 2022 e a invasão da Ucrânia pela Rússia. Os preços se estabilizaram nesta segunda-feira nos mercados asiáticos, com o barril de Brent em alta de 0,39%, a US$ 108,59, bem distante dos US$ 126 superados na quinta-feira. De acordo com a empresa especializada em monitoramento marítimo AXSMarine, o número de navios comerciais presentes no Golfo era de 913 em 29 de abril, incluindo 270 petroleiros e cerca de cinquenta navios de gás.
Cerca de 20 mil marinheiros estariam envolvidos na situação, segundo um alto funcionário da agência britânica de segurança marítima UKMTO. "Muitos desses navios sofrem escassez de alimentos e de tudo o que é necessário para permitir que as tripulações permaneçam a bordo de forma saudável", ressaltou Trump. Desde o início da guerra, que provocou milhares de mortes, principalmente no Irã e no Líbano, Teerã instituiu, na prática, tarifas de passagem para atravessar o Estreito de Ormuz. A situação permanece bloqueada desde o cessar-fogo, após quase quarenta dias de ataques israelenses e americanos contra o Irã e de represálias de Teerã na região.
Entre o Estreito de Ormuz e a questão nuclear, ainda há vários pontos de divergência, e os esforços para retomar as negociações fracassaram, apesar de um primeiro encontro direto no Paquistão, em 11 de abril. Para dar uma nova chance às discussões, Teerã apresentou uma nova proposta a Washington, que respondeu, informou no domingo a diplomacia iraniana. Segundo a agência Tasnim, Teerã exige a retirada das forças americanas das áreas próximas ao Irã, o fim do bloqueio aos portos iranianos e do congelamento dos ativos do país, o financiamento de reparações, a suspensão das sanções, um "mecanismo" relativo ao Estreito de Ormuz e "o fim da guerra em todas as frentes, inclusive no Líbano".
O Irã pediu nesta segunda-feira que os Estados Unidos abandonem suas "exigências excessivas", após receber a resposta de Washington à sua nova proposta. "Neste momento, nossa prioridade é pôr fim à guerra. Não podemos ignorar as lições do passado. Negociamos duas vezes sobre os aspectos nucleares e, simultaneamente, fomos atacados pelos Estados Unidos", declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaïl Baghai.
"A outra parte precisa se decidir a adotar uma abordagem razoável e abandonar as exigências excessivas em relação ao Irã", acrescentou ele durante a habitual coletiva de imprensa semanal, transmitida pela televisão estatal. A questão nuclear não integra o plano de negociações atual, embora seja um tema central para os Estados Unidos e Israel, que acusam o Irã de querer desenvolver a bomba atômica — o que a República Islâmica nega.