
Dorli Kamkhagi: ''Refletindo sobre o Dia das Mães''
Falar sobre o Dia das Mães nos remete à mãe que cada um de nós teve (e qual a relação que foi estabelecida com esta figura tão única) que nos acompanha por toda a nossa existência.
É preciso lembrar que muitas pessoas não tiveram com suas mães um vínculo tão forte, seja por motivo de morte, separações, adoecimentos, e muitas vezes outras pessoas exerceram esta função materna.
Muitas vezes eu percebo no trabalho da clínica que as pessoas (pacientes) pudessem ter sido diferentes (talvez mais amorosas, ou mais presentes e generosas).
E que tivessem expressado o seu amor de uma forma mais explícita.
Dizem que quando nasce uma criança, nasce uma mãe.
Mas a realidade nos faz entender que nem sempre as relações acontecem desta forma.
Muitas vezes o tempo se faz necessário (este tempo interno para que este vínculo afetivo possa se estabelecer).
E desta forma esta mãe possa conseguir exercer seu papel de nutriz e acolhimento, que são essenciais para o desenvolvimento da criança.
Às vezes desejamos que as nossas mães fossem mais presentes; outras vezes que elas fossem mais generosas e perfeitas.
Mas na medida que amadurecemos podemos perceber e entender que “nossa mãe” é simplesmente humana e falível!
Hoje como mãe/avó, posso entender melhor o meu vínculo tão especial que tive com minha mãe, que foi uma verdadeira guerreira, sobreviveu aos terrores do Holocausto mas não perdeu sua força e afetividade com uma enorme presença!
É deste vínculo materno que pude entender que os silêncios e as ausências podem fazer parte de uma existência, que pode aceitar a incompletude e as faltas.
Às vezes desejamos ser muito melhores para nossos filhos, às vezes idealizamos uma certa perfeição, o que nos leva a um eterno sentimento de culpa.
É preciso aceitarmos que a qualidade do amor é um alimento na construção de um vínculo afetivo e que ajuda no crescimento emocional.
Mas também é preciso não esquecer de que somos simplesmente mães, com infinitas possibilidades e com muitos limites!
E nunca seremos tão incríveis e perfeitas!