
Influenciadora Deolane Bezerra foi presa - Foto: Danilo Verpa/Folhapress
A Polícia Civil de São Paulo apreendeu uma máquina de contar dinheiro e uma caixa com cerca de R$ 50 mil em espécie durante a Operação Vérnix, a mesma operação que resultou na prisão de Deolane Bezerra. O material foi encontrado na residência de Everton de Souza, conhecido como Player, e trazia gravado na tampa o nome "Dra Deolane". A operação investiga um esquema de lavagem de capitais com suposta conexão ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
A caixa apreendida apresentava características personalizadas. Além do nome da influenciadora e advogada Deolane Bezerra, o objeto exibia o símbolo da balança da Justiça e a frase "o justo não se justifica". A apreensão ocorreu durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão autorizados pela Justiça paulista, conforme informações do Estadão.
O inquérito policial aponta Deolane Bezerra como elemento central em uma estrutura de lavagem de dinheiro destinada à cúpula do PCC. A influenciadora mantém estreitas ligações com Player, que atuaria como operador financeiro e seria o intermediador entre os líderes da facção — os irmãos Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, e Alejandro Camacho Júnior — e Ciro César Lemos, apontado como gestor operacional do esquema.
A estrutura investigada utilizava uma transportadora como fachada para movimentação financeira. A Lopes Lemos Transportes estava localizada próxima à Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, no interior de São Paulo. Dessa empresa, os recursos ilícitos eram direcionados para contas dos líderes da organização criminosa.
A polícia identificou que Deolane controlava 35 pessoas jurídicas registradas em um único endereço residencial situado em Martinópolis, no interior de São Paulo. Os delegados Edmar Rogério Dias Caparroz e Ramon Euclides Guarnieri Pedrão conduziram a investigação e sustentam que Deolane não atuava apenas como advogada no esquema. A influenciadora figurava entre os "beneficiários diretos dos repasses financeiros provenientes daquela transportadora", conforme consta no relatório da operação.
A conclusão dos investigadores se baseia em análise de documentos financeiros e movimentações bancárias. A quebra de sigilos bancários revelou padrões de recebimento de valores por parte de Deolane. Os repasses ocorriam em um contexto de "acerto mensal/balancete ou fechamento" da empresa transportadora. A natureza dos pagamentos não correspondia a honorários por serviços advocatícios, e os valores eram transferidos em datas específicas.
O relatório da Operação Vérnix afirma que Deolane "empresta toda a sua estrutura financeira e aparente respeitabilidade social para o trânsito e integração de valores ilícitos". A polícia classifica essa atuação como a fase final da lavagem de capitais. O conjunto de indícios reunidos demonstra que ela é "uma das mais importantes pessoas integrantes do vasto e diferenciado esquema de lavagem de capitais gerido pela organização criminosa PCC", conforme o documento policial.
A investigação identificou um modelo tripartite de organização criminosa. A estrutura une três núcleos distintos: o decisório, localizado nos presídios; o operacional, composto pelos gestores; e o financeiro, formado pelas contas receptoras dos valores. Cada núcleo teria funções específicas na cadeia de lavagem de dinheiro.
A defesa de Deolane Bezerra alega a inocência da influenciadora, que foi transferida para a Penitenciária de Tupi Paulista, no interior de São Paulo. O espaço para manifestação dos demais citados na investigação permanece aberto.