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O deputado Mário Frias (PL-SP) e a produtora Goup Entertainment divulgaram notas negando que o banqueiro Daniel Vorcaro tenha contribuído com recursos para o filme "Dark Horse", produção que retrata a trajetória política de Jair Bolsonaro. As declarações contradizem diretamente o conteúdo da nota divulgada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que havia dado a entender que Vorcaro já era patrocinador do projeto. Flávio Bolsonaro foi flagrado em conversa com Vorcaro pedindo dinheiro ao banqueiro no final do ano passado, conforme noticiado pelo site Intercept Brasil e confirmado pelo Estadão.
Em sua nota, o senador admitiu ter feito o pedido, justificando que havia "atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme", sugerindo que o banqueiro já havia feito contribuições anteriores ao projeto.
A versão apresentada por Frias e pela Goup Entertainment vai na direção oposta. O deputado bolsonarista afirmou que "não há um único centavo do sr. Daniel Vorcaro em Dark Horse", filme previsto para ser lançado em setembro deste ano. Frias acrescentou: "E, ainda que houvesse (dinheiro de Vorcaro), não haveria problema algum: trata-se de relação estritamente privada, entre adultos capazes, sem um único real de dinheiro público envolvido. E, na época, não havia qualquer suspeita a ele e seu banco".
A produtora responsável por Dark Horse reforçou o mesmo argumento. "A Goup Entertainment afirma categoricamente que, dentre os mais de uma dezena de investidores que compõem o quadro de financiadores do longa-metragem Dark Horse, não consta um único centavo proveniente do sr. Daniel Vorcaro, do Banco Master ou de qualquer outra empresa sob o seu controle societário", diz o comunicado divulgado na quarta-feira, 13.
As notas revelaram ainda outra contradição. Tanto Flávio quanto Frias sustentam que, na época do pedido de recursos, não havia nada de público contra o dono do Banco Master. No entanto, já era de conhecimento público que a Polícia Federal investigava o banqueiro. No próprio áudio divulgado pelo Intercept Brasil, o senador menciona que Vorcaro estava passando por dificuldades naquele momento. A gravação é do final de 2024.
Em sua nota completa, Flávio Bolsonaro defendeu a instalação de uma CPI do Banco Master e classificou sua relação com Vorcaro como uma busca por patrocínio privado para um filme privado. "Conheci Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, quando o governo Bolsonaro já havia acabado, e quando não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro", escreveu o senador, acrescentando: "Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem".
Já Mário Frias, na condição de produtor executivo de Dark Horse, detalhou em cinco pontos sua posição. O deputado esclareceu que Flávio Bolsonaro "não tem qualquer sociedade no filme ou na produtora", tendo seu papel "limitado à cessão dos direitos de imagem da família". Frias também destacou que Dark Horse é "uma superprodução em padrão hollywoodiano, com 100% de capital privado" e rebateu as críticas ao projeto: "Desde o anúncio do projeto, Dark Horse vem sendo alvo reiterado de ataques direcionados não apenas à produção do filme, mas também à sua própria viabilidade e futura exibição". Por fim, o deputado fez uma defesa pessoal: "Geri bilhões da Lei Rouanet à frente da Secretaria Especial da Cultura e saí do governo com as mãos limpas".
A Goup Entertainment, por sua vez, explicou que a legislação norte-americana aplicável a operações privadas de captação no setor audiovisual veda a divulgação da identidade de investidores cujos aportes estejam resguardados por acordos de confidencialidade, o que impede a produtora de revelar a lista completa de financiadores do projeto. As declarações conflitantes entre os envolvidos aprofundam as dúvidas sobre a real estrutura de financiamento de Dark Horse e a natureza da relação entre o clã Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro.