
Álvaro Damião prefeito de Belo Horizonte – Foto Diário do Comércio Isa Cunha
Belo Horizonte — Em meio à pressão por soluções para o Anel Rodoviário de Belo Horizonte após novos acidentes graves na via, o prefeito Álvaro Damião (União) elevou o tom nesta sexta-feira (15/5) e desafiou o governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), a dividir os custos das intervenções emergenciais no trecho. Durante coletiva de imprensa sobre os acidentes e as obras no Anel, Damião afirmou que a prefeitura está disposta a participar diretamente das melhorias, mas cobrou do governo estadual os recursos necessários para tirar os projetos do papel.
"Eu posso interferir convidando o governo do estado a gastar R$ 1 bilhão no Anel. Se o governo tem R$ 5 bilhões para gastar no Anel, que ele não sabe se vai fazer porque depende disso ou daquilo, vamos sentar, governador, e vamos falar", convocou o prefeito de BH. Damião ainda declarou ter "todas as ideias", mas ressaltou que precisa de recursos para viabilizar as obras.
"Vamos nós dois fazermos. Eu tenho todas as ideias. O senhor tem o dinheiro, então pega R$ 1 bilhão que a gente faz as principais intervenções que têm que ser feitas", afirmou. A declaração ocorre dias após Simões usar as redes sociais para cobrar a liberação das obras do Rodoanel Metropolitano e responsabilizar disputas judiciais pela demora no projeto.
Na ocasião, o governador afirmou que o estado estaria pronto para iniciar as intervenções, mas que ações judiciais estariam travando o avanço. "O Estado está pronto para fazer a obra do Rodoanel e dar mais segurança pra população. O que trava tudo hoje são ações judiciais por interesses políticos escusos […] Até quando?", escreveu Simões após um grave engavetamento envolvendo 14 veículos no Anel Rodoviário, na altura do bairro Betânia, na região Oeste da capital.
O acidente reacendeu o debate sobre a segurança da via, historicamente marcada por colisões envolvendo caminhões e veículos pesados. O caso deixou duas pessoas feridas e provocou longos congestionamentos no sentido Vitória. Nos últimos dias, vereadores e políticos mineiros passaram a pressionar por medidas imediatas, como a criação de uma segunda área de escape, além da aceleração das obras do Rodoanel Metropolitano — projeto defendido pelo governo estadual como alternativa para retirar o fluxo de caminhões pesados do Anel Rodoviário.
O projeto, no entanto, enfrenta impasses judiciais e ambientais. O licenciamento foi suspenso após comunidades quilombolas de Contagem acionarem a Justiça alegando que não foram consultadas sobre os impactos da obra. Uma liminar do Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF-6) manteve a paralisação. Enquanto o governo estadual aposta no Rodoanel como solução definitiva, Damião indicou que defende intervenções imediatas no próprio Anel Rodoviário e tentou dividir com o Palácio Tiradentes o desgaste provocado pelos acidentes recorrentes na via.