
Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro
Menos de dois meses após a histórica final do Campeonato Mineiro, que terminou com confusão generalizada em campo e o time estrelado campeão, Cruzeiro e Atlético voltam a se enfrentar no mesmo palco, desta vez pelo Campeonato Brasileiro.
Neste sábado (2/5), às 21h, a bola rola no Mineirão para o clássico válido pela 14ª rodada da Série A.
Apesar de apenas dois pontos separarem os rivais na tabela, o momento dos dois clubes é completamente distinto.
O Cruzeiro chega ao duelo em fase de recuperação, enquanto o Atlético enfrenta uma das piores crises recentes de sua história.
Diferentemente da decisão estadual, disputada em jogo único com equilíbrio entre as torcidas, este clássico terá maioria de cruzeirenses no Mineirão, com os atleticanos representando cerca de 4% do público total.
No apito, estará um árbitro paulista.
Cruzeiro em ascensão
Em comparação aos primeiros meses do ano, o Cruzeiro vive um ambiente de maior tranquilidade.
Apesar de ocupar a 12ª posição da Série A, com 16 pontos, o time celeste está em momento de ascensão: são quatro partidas invicto entre as três competições que disputa, e três triunfos consecutivos no Brasileirão, que fizeram o clube deixar a zona de rebaixamento.
Esse desempenho gerou confiança no trabalho do técnico Artur Jorge, primeira opção da SAF após a demissão de Tite, curiosamente o comandante na final do Mineiro.
O clássico contra o Atlético será apenas o 10º jogo do português à beira do campo e, desde que chegou, o treinador já renovou o contrato com o clube.
O aumento de moral veio nesta semana, quando a equipe estrelada bateu o Boca Juniors por 1 a 0 no Mineirão lotado e se recuperou em seu grupo na Copa Libertadores.
Antes disso, o Cruzeiro havia vencido o Remo por 1 a 0, fora de casa, pelo Brasileirão.
Para o clássico, Artur Jorge conta com o retorno do zagueiro Fabrício Bruno, do volante Lucas Silva e do meia Matheus Pereira, que cumpriram suspensão em Belém.
No entanto, o lateral-esquerdo reserva Kauã Prates é desfalque por lesão muscular.
A grande dúvida fica para o gol, onde Otávio e Matheus Cunha disputam a titularidade.
Atlético em crise
O Atlético chega ao clássico tentando aliviar o momento turbulento vivido pelo clube.
A equipe perdeu os últimos três jogos no Brasileirão e está na 15ª colocação, com 14 pontos, mesma pontuação do Santos, que ocupa o 17º lugar e abre a zona de rebaixamento.
Mas a vitória vai muito além de apenas se afastar do Z4.
As últimas semanas na Cidade do Galo foram marcadas por muitos problemas internos.
A turbulência começou após a vitória por 2 a 1 contra o Ceará, no dia 23, quando Renan Lodi declarou que alguns problemas no dia a dia estavam interferindo no desempenho em campo.
Na sequência, Hulk falou que poderia deixar o clube ainda no meio do ano e que havia a possibilidade de "falar o que deveria ser dito".
No domingo (26/4), antes do jogo contra o Flamengo pelo Brasileirão, Hulk foi cortado da relação de atletas.
O clube afirmou que o atacante foi sondado por outro time e que, em comum acordo, ficou definido que o ídolo atleticano não jogaria, pois já tinha disputado 12 partidas e, se fizesse a 13ª, não poderia se transferir no mercado interno.
O camisa 7 deixou a Arena MRV, e o Galo foi goleado por 4 a 0, sendo bastante vaiado pela torcida.
Enquanto Hulk negociava a rescisão de contrato, o Atlético viajou para o Peru e perdeu para o Cienciano por 2 a 1, em jogo válido pela terceira rodada da Sul-Americana, na última quarta-feira (29/4), sendo essa a primeira derrota do clube para um time peruano na história.
A equipe assumiu a lanterna do Grupo B, e, no dia seguinte, Rafael Menin comunicou que estava se afastando do futebol do Galo.
É neste cenário de pressão que o Atlético enfrenta o Cruzeiro neste sábado.
Uma derrota pode colocar ponto final na trajetória de Domínguez à frente do Galo.
Em 15 jogos até aqui, a equipe conseguiu seis vitórias, um empate e oito derrotas.
Para o clássico, o treinador argentino conta com o retorno de Renan Lodi, que cumpriu suspensão contra o Flamengo por conta do cartão vermelho recebido diante do Coritiba.