
Lula Marques/ Agência Brasil
O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), defendeu que Ronaldo Caiado é o pré-candidato à Presidência da República com maior "autoridade moral" e o único que reúne as condições necessárias para chegar ao segundo turno das eleições contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em entrevista à RedeTV nesta terça-feira, Leite argumentou que a pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) passou a acumular "manchas" após a revelação de sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
"Agora, vai ser especialmente importante para o eleitor ver a autoridade moral que o candidato tem, e acho que o Caiado reúne as melhores condições para falar com o eleitor sem ter as manchas dessa relação que se apresenta do Vorcaro com os Bolsonaro. De outro lado, futuramente sendo presidente, terá capacidade de articular melhor com o Congresso por ter essa autoridade moral", disse Leite.
Ao ser questionado sobre Romeu Zema, ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato ao Palácio do Planalto pelo partido Novo, Leite reconheceu que ele é "um bom gestor e bem intencionado", mas avaliou que o mineiro não conseguiu construir uma articulação política eficiente em seu estado. O governador gaúcho classificou como "frágil" a atuação de Zema na implementação de projetos, citando como exemplo a dificuldade do mineiro em criar "boas condições políticas" para a aprovação mais rápida de medidas de privatização — algo que Leite afirma ter conseguido no Rio Grande do Sul no início do seu mandato.
"(Para ser presidente) Tem que ter inteligência emocional, capacidade de gestão, reunir os bons quadros, ter capacidade política para liderar o Congresso. Caiado é o único que eu vejo que tem essa capacidade entre os nomes que estão postos", completou Leite.
Leite era um dos governadores "presidenciáveis" do PSD, ao lado de Caiado e Ratinho Júnior, do Paraná. Considerado favorito na disputa interna, Ratinho Júnior abandonou a corrida pouco antes de o presidente da sigla, Gilberto Kassab, bater o martelo, preferindo se dedicar à eleição de seu sucessor no estado. Já Leite acabou sendo preterido e optou por permanecer no cargo até o final do ano, passando a apoiar abertamente Caiado.
Nesta mesma terça-feira, Zema afirmou que não descarta uma aliança com Caiado para viabilizar uma candidatura de direita alternativa a Flávio Bolsonaro. O mineiro disse que "se dá bem com Caiado" e que "Goiás e Minas são estados quase gêmeos", mas ressaltou que as conversas sobre composições serão deixadas para o prazo final fixado pela Justiça Eleitoral para o registro de candidaturas e chapas, em agosto.
Na última pesquisa Datafolha divulgada neste mês, já após a revelação dos áudios de Vorcaro, Caiado apareceu com apenas 4% das intenções de voto em um eventual primeiro turno, contra 40% de Lula e 31% de Flávio Bolsonaro. Em um cenário de segundo turno contra o petista, Caiado registra 39% das intenções de voto, enquanto Lula aparece com 48%.