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Em meio à indefinição sobre o palanque de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Minas Gerais, após a confirmação de que o senador Rodrigo Pacheco (PSB) não vai disputar o governo do estado, uma declaração do ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos (PSOL), gerou desconforto na cúpula do Partido dos Trabalhadores nesta quinta-feira (21).
Em entrevista, Boulos sugeriu que poderia atuar como ponte entre o governo Lula e o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT), pré-candidato ao Palácio Tiradentes, para um apoio cruzado nas eleições deste ano. A declaração foi prontamente desautorizada pela executiva estadual do PT, que sustenta que a federação PSOL-Rede não tem autoridade para definir os rumos do partido em Minas Gerais.
A presidente estadual do PT, deputada Leninha, afirmou que o partido está construindo alianças voltadas ao projeto de reeleição de Lula no estado, mas deixou claro que ainda não há definições sobre nomes para um possível apoio. "O PT está construindo essas alianças para dar sustentação ao projeto de reeleição do presidente Lula. Esse é o objetivo principal da nossa movimentação política em Minas.
Nosso segundo objetivo é eleger a Marília Campos, nossa senadora. Claro que nós temos respeito aos partidos da base aliada do Lula, às lideranças desse partido em Minas Gerais, mas nós estamos discutindo com todos e todas e não tem ainda definição sobre a composição da chapa majoritária, por isso a gente está dialogando com todo mundo", destacou a deputada. Leninha também ressaltou que ainda não houve diálogo direto com Kalil, apesar de o partido já ter recebido sinais do ex-prefeito. "Nesse primeiro turno a gente ainda não conversou, portanto a gente segue nas construções e no diálogo.
Inclusive a fala do ministro Boulos não é compatível com o sentimento que a gente vem construindo aqui em Minas Gerais. Quem fala para o PT é o próprio PT e eu penso que o PT de Minas tem capacidade e responsabilidade para fazer o melhor nessa articulação para a reeleição do Lula", completou. Um eventual apoio de Lula a Kalil não é bem recebido entre lideranças históricas do PT mineiro.
O desgaste entre o ex-prefeito e o presidente remonta a 2022, quando Kalil foi apoiado pelo petista e acabou derrotado ainda no primeiro turno por Romeu Zema (Novo), que se reelegeu governador de Minas Gerais. Após as eleições, Kalil se distanciou de Lula, chegando a declarar publicamente que não "devia" nada ao presidente. Nas eleições municipais de 2024, o distanciamento se aprofundou ainda mais, quando Kalil apoiou Mauro Tramonte (Republicanos) em aliança com Zema, seu antigo adversário, em oposição à candidatura de Rogério Correia (PT) à Prefeitura de Belo Horizonte.
Interlocutores ligados a Boulos afirmam que ele não teria intenção de interferir nas decisões do PT em Minas Gerais, mas garantiram que, além de representar o governo federal, ele integra a coordenação da pré-campanha de Lula à reeleição. A assessoria de imprensa do ministro informou à reportagem que ele não comentaria o mal-estar gerado pela declaração.
