
© Marcello Casal Jr/Agência Brasil/Arquivo
O Banco Central divulgou que as concessões de empréstimos no Brasil recuaram 6,2% em abril em relação a março, representando uma redução de R$ 45,6 bilhões em novos créditos ao mercado. O resultado veio acompanhado de piora nos indicadores de inadimplência e de endividamento das famílias brasileiras. Segundo as Estatísticas Monetárias e de Crédito divulgadas pelo Banco Central, as concessões de crédito caíram de R$ 737,1 bilhões em março para R$ 691,5 bilhões em abril, de acordo com levantamento sem ajuste sazonal.
O recuo reflete um ambiente de juros elevados, que reduz o apetite por novos empréstimos tanto entre pessoas físicas quanto entre empresas. No crédito livre, que inclui operações como crédito pessoal e cartão de crédito, a queda nas concessões foi de 5,9%, com os valores passando de R$ 665,5 bilhões para R$ 626,4 bilhões. Já o crédito direcionado, que abrange modalidades com regras, taxas e finalidades específicas definidas pelo governo, como financiamentos imobiliários e crédito rural, registrou queda ainda mais expressiva de 9,1%, recuando de R$ 71,6 bilhões para R$ 65,1 bilhões.
As concessões para pessoas físicas caíram 4,3% no mês, chegando a R$ 337,3 bilhões, embora no acumulado de 12 meses ainda registrem avanço de 10,3%. Para as empresas, o recuo foi de 7,6%, com as concessões atingindo R$ 289,2 bilhões, enquanto a variação em 12 meses ainda aponta alta de 7,3%.
O Banco Central também apontou piora na taxa de inadimplência nas operações de crédito livre, que passou de 5,7% em março para 5,8% em abril. Entre as pessoas físicas, o índice subiu de 7,0% para 7,2%, enquanto o indicador de calote entre empresas avançou de 3,5% para 3,6%. O endividamento das famílias permanece em patamar elevado, situando-se em 49,8% em março, levemente abaixo dos 49,9% do mês anterior, mas ainda acima dos 49% registrados 12 meses antes, uma alta de 0,8 ponto percentual no período.
O comprometimento de renda, indicador que mede quanto do orçamento das famílias está destinado ao pagamento de empréstimos, recuou de 29,9% para 29,6%, mas segue acima do patamar de um ano antes, quando estava em 28%.
Um dos principais fatores que têm pressionado a oferta de novos empréstimos é o custo das operações. Para pessoas e empresas, as taxas estão mais altas, enquanto para os bancos, juros elevados aumentam o risco de inadimplência. A taxa média de juros do crédito livre alcançou 49,5% ao ano em abril, um aumento de 1,2 ponto percentual em relação a março e de 4,5 pontos percentuais em 12 meses.
No crédito livre para pessoas físicas, a taxa média de juros atingiu 63% ao ano, ante 58% registrados um ano antes. Já no crédito livre para empresas, a taxa média cresceu 0,5 ponto percentual, passando de 24,7% ao ano para 25,3%. Para conter a inflação, que estava acima da meta, o Banco Central elevou a taxa Selic ao patamar mais alto em duas décadas. Mesmo após os cortes realizados em março e abril, a Selic ainda é a maior desde agosto de 2006, o que segue impactando diretamente o custo do crédito no país.