
Inflação | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O consumo nos lares brasileiros registrou alta de 1,48% em abril em relação a março, de acordo com monitoramento da Associação Brasileira de Supermercados (Abras). Na comparação com abril do ano anterior, o crescimento foi de 3,17%, enquanto no acumulado do quadrimestre o indicador aponta elevação de 2,18%. Segundo a entidade, o consumo das famílias mantém trajetória positiva em 2026, ainda que em ritmo mais gradual do que o observado no ano passado, quando o avanço já superava 2% desde janeiro e permaneceu nesse patamar ao longo de todo o primeiro quadrimestre.
"Embora haja estímulos importantes de renda em circulação, o crescimento do consumo ocorre de forma gradual", afirmou o vice-presidente da Abras, Marcio Milan, durante coletiva de imprensa da entidade. A Abras destacou que a renda disponível das famílias continuou sendo sustentada por medidas como a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda e o reajuste do salário mínimo. A entidade também mencionou a antecipação do 13º salário de aposentados e pensionistas do INSS, estimada em R$ 78,2 bilhões, como fator de impulso ao consumo.
Apesar da melhora no consumo, os preços dos alimentos seguiram pressionados em abril. O AbrasMercado, indicador que acompanha os preços de uma cesta com 35 produtos de largo consumo, subiu 1,98% em abril ante março, acumulando alta de 4,55% no quadrimestre. Com esse resultado, o valor médio da cesta passou de R$ 820,54 para R$ 836,80. Entre os produtos básicos, a maior pressão veio do leite longa vida, que avançou 13,66% em abril e acumula alta de 21,39% no ano.
O feijão subiu 3,47% no mês e já registra elevação de 32,56% no quadrimestre. Segundo Milan, a dinâmica dos preços dos alimentos segue influenciada pela sazonalidade e pelos efeitos climáticos sobre a produção agrícola. "Soma-se a isso a elevação dos custos logísticos, especialmente nos fretes", afirmou.
No recorte da cesta de 12 produtos básicos, o preço médio nacional avançou 2,85% em abril, passando de R$ 344,40 para R$ 354,22. As principais pressões vieram do leite longa vida (+13,66%), do feijão (+3,47%) e da carne bovina corte dianteiro (+2,62%). Regionalmente, o Sul liderou a alta mensal da cesta básica, com avanço de 4,18% e custo médio de R$ 378,30, influenciado pelos aumentos mais intensos da carne bovina e do leite longa vida. O Norte, por sua vez, manteve o maior custo médio do país nesse recorte, em R$ 438,31.