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O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, anunciou nesta terça-feira (21/4) que a Ucrânia concluiu os trabalhos de reparo em um trecho do oleoduto Druzhba, danificado por um ataque russo, e o sistema já está pronto para retomar suas operações. De acordo com o líder ucraniano, especialistas do país estabeleceram "condições básicas" para restaurar o funcionamento da infraestrutura, embora não haja garantias contra novos ataques russos.
Zelensky vinculou a retomada das operações do oleoduto à liberação de um pacote de apoio financeiro aprovado pelo Conselho Europeu. "Já fizemos a nossa parte", afirmou, cobrando que parceiros europeus avancem em medidas adicionais, incluindo novos mecanismos de cooperação e pressão por sanções contra a Rússia.
Nos bastidores europeus, o oleoduto Druzhba passou a ser tratado como instrumento de pressão diplomática. Enquanto Budapeste utilizou o veto financeiro para garantir o abastecimento energético, Kiev buscou apoio político e econômico ao condicionar avanços à cooperação europeia.
O presidente ucraniano reforçou em seu comunicado que a Europa precisa diversificar suas fontes de energia e reduzir a dependência de países que, segundo ele, "tentam enfraquecê-la ou destruí-la".
A retomada do Druzhba pode aliviar tensões no curto prazo, mas o cenário permanece incerto diante dos riscos de novos ataques coordenados pelo Kremlin e da complexa disputa geopolítica envolvendo energia, guerra e financiamento internacional.
Zelensky também destacou a necessidade de garantir o fornecimento de combustível para a Ucrânia em abril e maio, em meio à instabilidade global agravada pela guerra no Irã. Ele anunciou ainda a preparação de uma reunião no formato "Ramstein da energia", voltada à coordenação internacional para reconstrução e proteção da infraestrutura energética ucraniana.
O oleoduto Druzhba, um dos maiores da Europa, tornou-se peça central de disputa política e econômica nos últimos meses. Países como Hungria e Eslováquia, altamente dependentes do petróleo russo transportado pela estrutura, pressionaram Kiev pela retomada do fluxo.