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Uma moradora de Varginha, no Sul de Minas Gerais, foi vítima de um sofisticado golpe que utilizou inteligência artificial para simular a voz de seu advogado. O esquema criminoso resultou em um prejuízo de aproximadamente R$ 1 milhão após os golpistas conseguirem acesso às contas bancárias da vítima. O caso tem chamado atenção das autoridades pela complexidade e pelo uso avançado de tecnologia. As informações são do G1.
De acordo com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), os criminosos utilizaram uma abordagem diferente dos golpes convencionais. Em vez de solicitar transferências diretas ou pagamento de boletos, os golpistas pediram dados pessoais e bancários da vítima, o que permitiu a clonagem do celular e o acesso às contas financeiras. O resultado foi devastador: 65 transações fraudulentas distribuídas em cinco contas diferentes.
O presidente da 20ª Subseção da OAB em Varginha, Guilherme Maia, explicou que este caso foge do padrão mais comum do golpe do "falso advogado". "O golpe do falso advogado normalmente existe uma transferência voluntária. Alguém liga para a pessoa se passando por advogado, fala que existe um processo e solicita uma transferência ou o pagamento de uma guia. Esse é o golpe clássico", esclareceu.
Segundo Maia, a dinâmica deste caso foi completamente diferente e resultou em um prejuízo extremamente elevado. "Nesse caso que nos foi reportado, um golpe milionário envolvendo muito dinheiro, a pessoa infelizmente perdeu mais de R$ 1 milhão em 65 transações. Ao que nos parece, a pessoa deve ter fornecido dados bancários ao suposto advogado, ao falsário, ao criminoso", relatou.
O presidente da OAB de Varginha fez um alerta importante sobre o compartilhamento de informações sensíveis: "Esses dados você não envia pra ninguém. Senha bancária, senha de aplicativo, confirmação de número de SMS, nem pro seu advogado e nem pra sua advogada. São informações personalíssimas, são suas". A investigação segue em andamento para rastrear o caminho do dinheiro e entender como as transações foram realizadas.
O caso é considerado particularmente preocupante devido ao uso da inteligência artificial, que torna os crimes ainda mais difíceis de identificar. "Hoje em dia os crimes estão mais sofisticados. Com a IA, você não pode confiar nem na voz e nem mesmo na imagem. Uma pessoa se passa por mim com a minha voz, com a minha imagem, falando que sou eu, e muitas vezes não é", alertou Maia. Para evitar cair nesse tipo de golpe, a principal recomendação é confirmar qualquer solicitação diretamente com o advogado por canais já conhecidos e nunca fazer transferências ou fornecer dados sem essa verificação prévia. "Entre em contato pessoalmente com seu advogado, procure o escritório, não transfira nada.
Confirme pessoalmente sempre qualquer coisa e jamais passe dados bancários sensíveis e sigilosos que pertencem só a você", reforçou o presidente da OAB de Varginha. Guilherme Maia também mencionou que há registros de falsários simulando até audiências, se passando por juízes e promotores para exigir pagamentos indevidos. "Isso não existe. Seu advogado vai solicitar valores por meio de guia. Todo e qualquer pagamento para a Justiça é feito por guia ou depósito judicial", completou. A vítima já registrou boletim de ocorrência e agora busca contato com sua instituição bancária para entender como as transações foram realizadas e verificar a possibilidade de recuperar os valores perdidos.