
Foto: X/Reprodução
O presidente Donald Trump fez um pronunciamento de 19 minutos em rede nacional na quarta-feira, onde defendeu o que chamou de "sucesso" na guerra contra o Irã. Pressionado pela alta dos combustíveis nos Estados Unidos e pelos índices de aprovação em queda, Trump afirmou que o conflito está próximo do fim, reiterando o prazo de "duas a três semanas" para encerrar os combates.
A escalada do conflito tem causado impacto direto na economia americana, especialmente nos preços dos combustíveis, tornando-se uma preocupação crescente para sua campanha eleitoral.
Promessas e contradições sobre o conflito
"Nas próximas duas ou três semanas, vamos levá-los (Irã) de volta à Idade da Pedra, onde é o lugar deles", afirmou Trump durante seu pronunciamento, acrescentando que "enquanto isso, as negociações continuam". O presidente americano tentou tranquilizar os eleitores sobre a situação no Estreito de Ormuz, rota por onde passa 20% do petróleo global, afirmando que este "se abriria naturalmente" após o término da guerra. As ameaças iranianas aos navios na região têm feito os preços do petróleo dispararem, impactando diretamente o custo dos combustíveis nos EUA.
Trump mencionou que os EUA não dependem do petróleo iraniano, especialmente após o reforço dos barris enviados pela Venezuela, garantindo que a economia americana continua forte, apesar das circunstâncias.
Economistas apresentam uma visão menos otimista da situação. Alguns já revisaram para baixo as estimativas de crescimento e aumentaram as projeções de inflação e desemprego. Há também preocupações sobre a possibilidade de recessão caso o conflito se agrave, levando a novos aumentos no preço do petróleo. ## Declarações contraditórias sobre o Irã.
Em suas redes sociais, Trump afirmou que o "novo presidente do regime iraniano" havia solicitado um cessar-fogo - uma declaração imprecisa, já que o Irã tem um novo líder supremo, não um novo presidente. O presidente americano sugeriu que poderia suspender a guerra se o Estreito de Ormuz fosse reaberto, declarando: "Até lá, vamos pulverizar o Irã".
O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, negou qualquer pedido de trégua em declaração à Al-Jazeera. A Guarda Revolucionária iraniana afirmou que manterá o estreito fechado e rejeitou o que descreveu como "ações performáticas" de Trump. "Ormuz está sob o controle da Guarda Revolucionária", afirmou o grupo em comunicado. "Ele será aberto, mas não para os inimigos".
Trump tem apresentado posições inconsistentes sobre os objetivos da guerra. Inicialmente, sugeriu que a mudança de regime era um imperativo, mas depois afirmou em seu pronunciamento na Casa Branca que este nunca foi o objetivo dos EUA.
Consequências do conflito
Desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, forças americanas e israelenses eliminaram dezenas de dirigentes iranianos, incluindo o líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei. Seu filho, Mojtaba Khamenei, considerado mais radical que o pai e apoiado pela Guarda Revolucionária, foi escolhido como sucessor, fortalecendo as facções mais extremistas do regime.
Em seu pronunciamento, Trump afirmou que as instalações nucleares iranianas foram novamente bombardeadas nos últimos dias e que "levaria meses para chegar perto da poeira nuclear". O presidente tem mudado constantemente sua posição sobre o desmantelamento do programa nuclear iraniano, que foi a justificativa para os bombardeios de junho do ano passado. Outra incerteza gerada pelas declarações de Trump diz respeito ao futuro da OTAN.
O presidente afirmou ao jornal Telegraph que está considerando retirar os EUA da aliança, reclamando da falta de apoio dos aliados europeus na guerra contra o Irã. No entanto, tal decisão seria complicada devido à Lei de Autorização de Defesa Nacional (NDAA) aprovada em 2024, que proíbe o presidente de se retirar da OTAN sem aprovação de dois terços do Senado ou uma nova legislação.
A sete meses das eleições de meio de mandato, as declarações confusas e contraditórias de Trump continuam alimentando incertezas tanto sobre o conflito com o Irã quanto sobre o futuro das relações internacionais dos Estados Unidos.