
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump - Official White House Photo by Jo
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez ameaças diretas ao Irã durante uma coletiva de imprensa na Casa Branca nesta segunda-feira (6). O líder republicano afirmou que o país persa "poderia ser derrubado em uma noite" e sugeriu que isso poderia acontecer já na terça-feira (7).
Trump estabeleceu um ultimato para o Irã, determinando que o país tem até às 20h (horário do leste dos EUA) de terça-feira para fechar um acordo. Caso contrário, o presidente americano ameaçou atacar infraestruturas essenciais, como usinas de energia e pontes, ou se o país persa decidir fechar o Estreito de Ormuz.
Durante a coletiva, Trump foi enfático em suas declarações: "O país inteiro poderia ser derrubado em uma noite, e essa noite pode ser amanhã à noite". Estas palavras reforçam a escalada de tensões entre os dois países, que já vêm se intensificando desde o final de fevereiro.
O presidente americano também comentou sobre uma proposta de cessar-fogo de 45 dias na guerra com o Irã, classificando-a como "um passo muito significativo" no conflito. "É uma proposta significativa, é um passo significativo. Não é suficiente, mas é um passo muito significativo", disse Trump aos repórteres, acrescentando que mediadores "estão negociando agora".
Por outro lado, o Irã rejeitou a proposta de encerrar o conflito com os Estados Unidos e Israel, insistindo "na necessidade de um fim definitivo para o conflito", conforme informou a agência de notícias estatal IRNA.
A atual crise teve início em 28 de fevereiro, quando Trump anunciou que os Estados Unidos atacariam o Irã com o objetivo de destruir as forças armadas do país e seu programa nuclear. Desde então, o conflito já resultou em mais de duas mil mortes.
Em um vídeo publicado na rede Truth Social, o republicano acusou o Irã de rejeitar "todas as oportunidades de renunciar às suas ambições nucleares", afirmando que os EUA "não aguentam mais". Na mesma ocasião, Israel também anunciou ataques contra o Irã.
Em resposta às ameaças, o regime iraniano lançou uma série de ataques em diversos países do Oriente Médio que abrigam bases militares norte-americanas, incluindo Emirados Árabes, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Iraque.
Um aspecto crucial deste conflito envolve o Estreito de Ormuz, uma passagem marítima estratégica entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, considerado o principal gargalo logístico energético do mundo. O possível fechamento desta rota marítima pelo Irã representa uma grave ameaça ao comércio global de petróleo.
Sem perspectivas claras para um acordo que possa encerrar o conflito, o Programa Mundial de Alimentos (PMA) da ONU estima que mais de 45 milhões de pessoas poderão enfrentar fome se a guerra no Oriente Médio se estender até junho deste ano. Esta previsão alarmante foi divulgada pelo diretor-executivo adjunto do PMA, Carl Skau, em março, quando afirmou que "a fome nunca foi tão grave como agora".
A escalada de tensões entre Trump e o regime iraniano continua a preocupar a comunidade internacional, que teme as consequências humanitárias e geopolíticas de um conflito aberto entre as duas nações.