
Técnico morre após acidente durante montagem do palco do show de Shakira em Copacabana — Foto: Reprodução Redes Sociais
O presidente do Sindicato dos Artistas do Rio, Hugo Gross, manifestou-se sobre a morte de um técnico de segurança do trabalho durante a montagem do palco para o show da cantora Shakira, na Praia de Copacabana.
Em comunicado, o ator destacou as condições precárias às quais os profissionais costumam ser expostos e informou que a instituição entrará com uma "ação de obrigação de fazer" contra a empresa responsável pelo evento.
Gross denunciou o que considera ser uma disparidade no tratamento entre artistas internacionais e trabalhadores locais: "Há que se denunciar o preço que o município do Rio de Janeiro está disposto a pagar para se destacar no cenário do show business internacional. Se por um lado, há toda uma estrutura profissional para receber um artista internacional, por outro, há uma grande discriminação com o trabalhador da cultura que faz o show acontecer, o técnico, sobretudo o terceirizado que se expõe a jornadas exaustivas e condições precárias e degradantes de trabalho".
O presidente do Sated-RJ também criticou a falta de fiscalização do Ministério Público do Trabalho, afirmando que "na montagem do palco, atrás das coxias, nos bastidores, há um exército de profissionais expostos a assédios, sobrecargas de trabalho, riscos ignorados e um submundo trabalhista que a prefeitura e a fiscalização do Ministério do Trabalho insistem em ignora".
Gross ressaltou ainda que "a cada grande evento, o SATED-RJ encaminha um conjunto de demandas para que os órgãos públicos tomem as devidas providências, fato constantemente ignorado sob a desculpa de que faltam fiscais para checar as denúncias que chegam".
O Sindicato dos Artistas também emitiu uma nota de repúdio sobre o caso, solidarizando-se com familiares e amigos do profissional falecido, Gabriel de Jesus Firmino, de apenas 28 anos.
No comunicado, a instituição enfatizou que "nenhum espetáculo, produção ou show pode estar acima da vida de um trabalhador".
Na nota oficial, o sindicato destacou os riscos da terceirização indiscriminada e da fragilidade nas relações de trabalho que persistem em produções culturais: "A tragédia expõe novamente os riscos da terceirização indiscriminada, da pejotização e da fragilidade nas relações de trabalho que ainda persistem em muitas produções culturais.
Algumas produtoras de shows internacionais, como esta Bônus Track, que recebem inclusive verbas públicas para projetos, se recusam a regularizar a situação e tentam descumprir a lei 6533/78, incluindo as taxas e regras de proteção ao artista e técnico nacional, tudo para não pagar e omitir fiscalizações trabalhistas e sindicais.
Quando a redução de custos se sobrepõe ao cumprimento da legislação, a segurança dos trabalhadores fica em segundo plano."
O sindicato reforçou a importância do respeito ao registro profissional, a fiscalização efetiva das condições de trabalho e o cumprimento das normas de saúde e segurança.
A entidade prometeu acompanhar a apuração do caso e cobrar a responsabilização dos envolvidos.
O acidente ocorreu no domingo (26/4), quando Gabriel foi atingido por uma estrutura que desabou durante a montagem do palco para o show de Shakira, programado para o próximo fim de semana na Praia de Copacabana.
Segundo testemunhas, ele chegou a ser socorrido, mas não resistiu aos ferimentos.
A Polícia Militar confirmou que a vítima foi levada para o Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea, onde faleceu.
O caso será investigado pela 12ª DP (Copacabana).
Um vídeo do momento após o acidente circulou nas redes sociais, mostrando colegas de trabalho tentando retirar o rapaz preso às ferragens.
Os organizadores do evento emitiram um comunicado confirmando o acidente e informando que "os socorristas prestaram o primeiro atendimento no local e o Corpo de Bombeiros foi imediatamente acionado para o transporte do paciente".
Concluíram afirmando estar "prestando todo apoio, acolhimento e solidariedade à empresa responsável, sua equipe e aos familiares da vítima".