
Foto: Marcello Casal JrAgência Brasil
A mediana das previsões para a taxa Selic no fim de 2026 aumentou de 12,50% para 13,00% no relatório Focus do Banco Central, após três semanas de estabilidade. O mercado financeiro está ajustando suas expectativas para a trajetória da política monetária brasileira, em meio à crescente pressão inflacionária esperada com a disparada dos preços do petróleo em decorrência do conflito no Oriente Médio.
Considerando apenas as 95 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, que são mais sensíveis às novidades do mercado, a mediana para a Selic no fim de 2026 subiu de 12,75% para 13,00%, demonstrando uma tendência de alta nas projeções mais recentes. A projeção para a taxa Selic no fim de 2027 também foi revisada para cima, aumentando de 10,50% para 11,00%, após impressionantes 61 semanas de estabilidade nessa previsão.
Quando analisadas somente as 90 estimativas atualizadas na última semana, a mediana passou de 10,53% para 11,00%, confirmando a tendência de alta nas expectativas para os juros futuros. O Comitê de Política Monetária (Copom) havia reduzido a Selic em 0,25 ponto percentual, de 15% para 14,75% ao ano, em 18 de março. Esta foi a primeira redução da taxa de juros em quase dois anos.
Apesar do corte, o colegiado fez questão de alertar para o aumento das incertezas no cenário econômico atual. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, reforçou essa baixa visibilidade durante entrevista coletiva sobre o Relatório de Política Monetária (RPM), realizada em 26 de março. Ele explicou que o "conservadorismo" da autoridade monetária em 2025 compra tempo para analisar o cenário e entender os efeitos que a alta do petróleo terá sobre os preços domésticos. "Estamos entendendo e vamos aprender mais daqui até a próxima reunião do Copom.
O BC tem esse benefício de que só precisa tomar uma decisão a cada 45 dias", afirmou Galípolo, reforçando que haverá uma condução cautelosa da política monetária. O Copom se reunirá novamente na próxima semana para definir os rumos da taxa básica de juros. No relatório Focus divulgado nesta segunda-feira, a mediana para a Selic no fim de 2028 permaneceu estável em 10,00% pela 13ª leitura consecutiva, mostrando que as expectativas para o longo prazo ainda não sofreram alterações significativas.
Já a estimativa para 2029 aumentou de 9,75% para 9,88%, enquanto há um mês estava em 9,50%, indicando uma leve tendência de alta também para o horizonte mais distante. As revisões nas projeções para a Selic refletem a crescente preocupação do mercado com o cenário inflacionário brasileiro, especialmente diante das incertezas globais e dos impactos que a elevação dos preços internacionais de commodities pode ter sobre a economia doméstica.