
O rei Charles III e a rainha Camilla (Ian Vogler - WPA Pool)
O Rei Charles III e a rainha Camila chegaram aos Estados Unidos nesta segunda-feira (27) para uma visita oficial de quatro dias. A viagem ocorre em um momento delicado nas relações entre Londres e Washington, dois dias após um incidente de segurança envolvendo um homem armado que invadiu um jantar com a imprensa com a intenção de atirar no presidente Donald Trump. A visita do Rei Charles III foi planejada antes da guerra com o Irã e marca os 250 anos da independência americana. Apesar do incidente de segurança do fim de semana, a programação foi mantida, com reforço na proteção do monarca.
A agenda da visita do Rei Charles III aos EUA inclui diversos compromissos oficiais.
Logo após a chegada em Washington, o Rei Charles III e a rainha Camila participam de um chá privado com Donald Trump e a primeira-dama Melania Trump, seguido por uma recepção no jardim da Casa Branca.
Na terça-feira, o monarca será recebido com honras militares e terá um encontro privado com Trump, inicialmente sem a presença da imprensa. À tarde, fará um discurso no Congresso americano e, à noite, participará de um banquete oficial.
Na quarta-feira, o casal real segue para Nova York, onde prestará homenagem às vítimas dos atentados de 11 de setembro e participará de um evento com representantes das indústrias criativas.
Na quinta-feira, a agenda continua no estado da Virgínia, em celebrações pelos 250 anos da independência americana.
Esta visita do Rei Charles III acontece em um momento considerado por historiadores britânicos como a pior crise anglo-americana em um século, segundo a AFP.
As tensões diplomáticas entre os dois países aliados históricos têm se intensificado recentemente. Trump tem feito críticas públicas ao primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer. O presidente americano já chamou os porta-aviões britânicos de "brinquedos" e afirmou que o premiê "não é Winston Churchill", demonstrando o clima de tensão entre os líderes.
Um dos pontos de atrito mais sensíveis envolve a soberania das Ilhas Malvinas. Um e-mail vazado do Pentágono indicou que os EUA poderiam rever o apoio ao Reino Unido nesta questão territorial. O governo britânico reagiu prontamente, reiterando que o arquipélago pertence ao país desde 1833, apesar da disputa histórica com a Argentina.
Embora a Casa Branca não tenha se pronunciado oficialmente sobre o vazamento, o documento é interpretado como uma forma de pressão sobre aliados da OTAN que, na avaliação de Trump — como Reino Unido e Espanha —, estariam contribuindo menos do que o esperado na guerra contra o Irã.
Outro fator complicador é o alinhamento político de Trump com o presidente argentino Javier Milei, o que pode adicionar mais tensão às discussões sobre as Ilhas Malvinas durante a visita do Rei Charles III.
A visita real, mesmo em meio a estas tensões diplomáticas e ao recente incidente de segurança envolvendo Trump, segue como planejada, demonstrando o compromisso com as relações bilaterais históricas entre os dois países.