
Polícia Civil do Distrito Federal - PCDF/Divulgação
A Polícia Civil do Distrito Federal realizou uma grande operação contra uma organização criminosa especializada em tráfico interestadual de drogas e lavagem de dinheiro. Na Operação Eixo, deflagrada nesta sexta-feira, foram presas 40 pessoas com mandados temporários de 30 dias e cumpridos 56 mandados de busca e apreensão em diversas cidades do Brasil.
A ação resultou no bloqueio de R$ 1 bilhão em contas bancárias, além de ações custodiadas na CVM, sequestro de veículos, três imóveis e bloqueio de criptoativos. Os mandados foram executados em seis cidades do Distrito Federal e em municípios de Goiás, São Paulo, Santa Catarina, Minas Gerais, Paraná e Amazonas.
A investigação da Polícia Civil identificou uma estrutura criminosa sofisticada, com dois núcleos centrais de atuação no DF, ligados a grupos rivais. Um dos principais investigados desempenhava papel crucial na logística de remessa de drogas de outros estados para abastecer o tráfico local.
A organização possuía um mecanismo estruturado de lavagem de dinheiro, utilizando empresas de fachada, contas bancárias de terceiros, criptoativos e operadores distribuídos em diferentes unidades da federação. Uma das contas identificadas movimentou aproximadamente R$ 79 milhões.
Para dificultar o rastreamento patrimonial, o grupo realizava diversas transferências em valores padronizados, utilizava plataformas de criptoativos e fazia saques massivos em espécie. A Polícia Civil identificou pessoas jurídicas de curta duração sem capacidade operacional compatível com os valores movimentados.
Embora não existam indícios de estrutura própria de facções criminosas do Rio de Janeiro no Distrito Federal, a investigação detectou ligações entre os criminosos. Três investigados do DF realizaram viagens a uma comunidade no Rio de Janeiro para treinamento no uso de armas de grosso calibre.
Dois cidadãos estrangeiros foram apontados como peças importantes na logística e engrenagem financeira da organização: um colombiano e um venezuelano. Um dos colombianos, que já havia sido investigado pela Polícia Federal por lavagem de dinheiro e estava na lista da Interpol, foi preso recentemente na Espanha. O outro está detido na Colômbia, enquanto o venezuelano está em Santa Catarina.
Um integrante da organização, responsável pela recepção e distribuição de drogas e considerado de alta periculosidade, morreu em agosto de 2024 durante confronto com a Polícia Militar de Minas Gerais. Na ocasião, ele transportava grande quantidade de maconha, portava arma de fogo e tinha anotações de contabilidade do tráfico.
O objetivo principal da operação foi interromper o fluxo de drogas destinado à capital federal, enfraquecer o braço financeiro da organização e responsabilizar toda a cadeia envolvida. Os presos poderão responder por tráfico interestadual de drogas, organização criminosa majorada pela conexão com outras organizações criminosas independentes e lavagem de dinheiro majorada, com penas que podem somar até 55 anos de prisão e multa.