
Gaza. Fonte: Wikipedia/ Creative Commons
Em um novo relatório divulgado nesta terça-feira (28/4), a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) acusou as autoridades israelenses de utilizarem o acesso à água como ferramenta de punição coletiva contra a população palestina em Gaza. Segundo o documento, intitulado "A Água como Arma: A Destruição e Privação de Água e Saneamento de Israel em Gaza", quase 90% da infraestrutura hídrica e sanitária do território foi destruída ou danificada. O relatório do MSF baseia-se em dados das Nações Unidas, da União Europeia e do Banco Mundial, que confirmam a destruição massiva da infraestrutura essencial em Gaza.
Entre as instalações afetadas estão:
- Usinas de dessalinização que forneciam água potável para a população local, fundamentais em uma região onde o acesso à água doce já era naturalmente limitado;
- Poços e tubulações que compunham o sistema de distribuição de água, impossibilitando o acesso das famílias palestinas a este recurso vital;
- Sistemas de esgoto e tratamento de resíduos, cuja destruição agrava ainda mais as condições sanitárias no território.
O MSF destaca em seu relatório que a escassez de água resultante destes danos criou um ambiente propício para a propagação de diversas doenças. A organização tem registrado um aumento significativo de casos de doenças de pele e gastrointestinais entre a população atendida, consequência direta da falta de água limpa para higiene pessoal e consumo.
Outro ponto alarmante revelado pelo MSF é que aproximadamente um terço dos pedidos da organização para entrada de materiais críticos de água e saneamento em Gaza foi rejeitado ou simplesmente ignorado pelas autoridades israelenses desde outubro de 2023. Estes materiais incluem equipamentos essenciais como bombas, cloro para tratamento de água, geradores para operação de sistemas hídricos e unidades de dessalinização.
A situação relatada pelo MSF evidencia uma grave crise humanitária em desenvolvimento, onde o acesso a um recurso básico como a água está sendo severamente comprometido, afetando diretamente a saúde e sobrevivência da população civil em Gaza.