
Bruno Aiub, conhecido como Monark - Foto: Divulgação
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), abriu nesta quarta-feira (29) um prazo de 15 dias para que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste sobre o inquérito contra Bruno Aiub, o influenciador conhecido como Monark. A medida ocorre após a Polícia Federal (PF) encaminhar um relatório apontando que o criador de conteúdo mantém ataques às urnas eletrônicas. O documento investigativo foi construído com base em vídeos e gravações fornecidos pela plataforma TikTok. A apuração concentra-se na suspeita de desobediência a decisões judiciais, uma vez que Monark continua criticando abertamente o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o próprio STF. "Verifica-se que o investigado, de forma reiterada, profere declarações públicas nas quais questiona a lisura do processo eleitoral brasileiro", destacou o parecer da corporação. A PF também registrou que o influenciador direciona críticas às determinações proferidas pelo ministro relator.
Prorrogação e dificuldades técnicas
O envio do relatório ocorreu após uma extensão do prazo de investigação, formalizada por Moraes em 22 de abril. Na ocasião, o magistrado concedeu 60 dias adicionais para a conclusão do inquérito, que originalmente tinha um prazo de 30 dias. O pedido de prorrogação partiu do delegado Fábio Fajngold, que relatou dificuldades para acessar a totalidade dos arquivos digitais em razão de problemas no sistema do próprio STF, o que exigiu mais tempo para garantir uma entrega tecnicamente adequada.
Início da investigação após o 8 de janeiro
O inquérito contra Monark teve início logo após os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. Naquele período, as contas oficiais do influenciador integraram a lista de perfis bloqueados por ordem judicial, sob a acusação de instigação aos crimes contra os Três Poderes. A suspensão se estendeu até o início de 2025, quando Moraes avaliou que o bloqueio total não era mais necessário e determinou apenas a exclusão das postagens consideradas irregulares.
Quem é Monark
Bruno Aiub ganhou notoriedade inicialmente como um dos pioneiros do YouTube no Brasil, produzindo conteúdos de Minecraft no canal RandonsPlays entre 2011 e 2014, período em que se destacou pelo estilo descontraído e conquistou grande audiência no segmento de games.
Anos depois, retomou relevância ao cofundar o Flow Podcast ao lado de Igor 3K, apostando em conversas longas e informais inspiradas no The Joe Rogan Experience, formato que contribuiu para popularizar os videocasts no país e consolidou os Estúdios Flow como um hub de produção digital.
A trajetória de Monark foi marcada por uma grave crise após declarações em defesa da existência de um partido nazista e do direito a discursos antissemitas durante uma entrevista com parlamentares. A repercussão foi intensa, gerando reações de entidades como a Confederação Israelita do Brasil, rompimento de contratos com patrocinadores e pedidos de retirada de conteúdos por convidados.
Diante da pressão, o Flow Podcast anunciou seu desligamento e removeu o episódio. O próprio influenciador publicou um pedido de desculpas, alegando ter se expressado de forma irresponsável, e deixou a sociedade da empresa, em meio à abertura de investigações por possíveis crimes relacionados à apologia ao nazismo e discriminação.
Agora, com o relatório da PF nas mãos da PGR, o caso de Monark aguarda o posicionamento do órgão ministerial dentro do prazo estipulado por Moraes para que o inquérito avance.