
Desabamento de muro próximo à hospital em Belo Horizonte
O período chuvoso de outubro a março em Minas Gerais foi o mais letal dos últimos 20 anos, segundo dados da Defesa Civil. O estado registrou 92 mortes e cerca de 14 mil pessoas desalojadas, com 204 municípios declarando situação de emergência. A Zona da Mata foi a região mais afetada, com Juiz de Fora e Ubá decretando estado de calamidade pública.
As chuvas intensas transformaram diversas regiões do estado em cenários de destruição, com alagamentos severos e desmoronamentos que resultaram em um número alarmante de vítimas. Especialistas apontam o fenômeno La Niña como principal responsável pela intensidade das precipitações neste período.
Na Zona da Mata mineira, a situação foi particularmente crítica:
* Em Juiz de Fora, o transbordamento do Rio Paraibuna causou alagamentos em diversos pontos da cidade, resultando em 65 mortes. A gravidade da situação levou à suspensão das aulas na rede municipal de ensino, bem como em instituições estaduais, federais e particulares.
* Em Ubá, oito pessoas perderam a vida após o transbordamento do Rio Ubá. A Avenida Beira Rio ficou completamente tomada pela água, causando destruição significativa na região.
* No total, quase 2 mil moradias foram destruídas apenas nessas duas cidades, que juntas somaram 73 vítimas fatais.
A Região Metropolitana de Belo Horizonte também sofreu com os temporais, registrando alagamentos, quedas de árvores e postes, além de deixar diversos imóveis sem energia elétrica. Em Belo Horizonte, uma mulher de 50 anos foi encontrada morta próximo a um bueiro após ser arrastada pela água durante um forte temporal no bairro Horto.
Em Sabará, duas mortes foram confirmadas. Um homem ficou dias desaparecido depois de ser levado pela enxurrada enquanto tentava quebrar o muro de uma casa para ajudar a dar vazão à água acumulada. Seu corpo foi encontrado no quinto dia de buscas, a 92 quilômetros do local do desaparecimento, no leito do Rio das Velhas, em Jaboticatubas. Também em Sabará, um menino de 5 anos morreu após ser atingido por um muro que desabou sobre sua casa devido às fortes chuvas.
A tendência para os meses de abril e maio, segundo o especialista, é de estabilização climática. No entanto, o saldo deste período chuvoso em Minas Gerais foi devastador, com 92 vidas perdidas e milhares de pessoas desalojadas, evidenciando a necessidade urgente de medidas preventivas e de adaptação às mudanças climáticas, especialmente nas regiões mais vulneráveis do estado.