
Foto: Reprodução
O período chuvoso em Minas Gerais encerrou-se nesta terça-feira (31/3) com um saldo devastador: 92 mortes e mais de 1 milhão de pessoas afetadas, conforme balanço divulgado pela Defesa Civil estadual nesta quarta-feira (1º/4). Este é o maior número de vítimas fatais registrado nos últimos 20 anos no estado.
A última vítima foi um idoso de 77 anos que faleceu após mais de um mês internado em Juiz de Fora. A Zona da Mata mineira concentrou a maior parte das fatalidades, especialmente nas cidades de Juiz de Fora e Ubá. A tragédia provocada pelas intensas chuvas da última semana de fevereiro resultou em 74 mortes somente nessa região, sendo 66 em Juiz de Fora e 8 em Ubá.
Juiz de Fora registrou o fevereiro mais chuvoso de sua história desde o início das medições do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) em 1961, acumulando 752,4 mm de precipitação, volume três vezes superior ao esperado para o período.
Além da Zona da Mata, outras regiões de Minas Gerais também sofreram com as chuvas intensas, registrando óbitos em diversas cidades: Eugenópolis contabilizou 4 mortes, evidenciando a extensão dos danos causados pelas precipitações além dos grandes centros urbanos.
Sabará, na região metropolitana de Belo Horizonte, registrou 2 óbitos, demonstrando que mesmo áreas próximas à capital não foram poupadas. Mendes Pimentel teve 3 vítimas fatais, enquanto outras localidades como São Thomé das Letras, Pouso Alegre, João Pinheiro, Santa Rita de Caldas, Muriaé, Mutum, Santana do Riacho e Porteirinha registraram 1 morte cada. A capital mineira, Belo Horizonte, também sofreu com as chuvas, contabilizando 1 óbito durante este período.
O impacto humanitário foi igualmente devastador. Cerca de 12 mil pessoas ficaram desabrigadas, necessitando de abrigos públicos como habitação temporária. Além disso, mais de 14 mil pessoas foram desalojadas, tendo que buscar acolhimento em casas de amigos ou parentes. No total, mais de 1 milhão de mineiros foram afetados de alguma forma pelas chuvas intensas.
Este período chuvoso superou significativamente o anterior mais letal, ocorrido entre setembro de 2019 e março de 2020, quando Minas Gerais somou 74 mortes. Naquela ocasião, o estado enfrentou eventos climáticos extremos, como a chamada "chuva de mil anos", que atingiu Belo Horizonte em 20 de janeiro de 2020, causando devastação na capital.
É importante notar que, após aquele período crítico de 2019/2020, os registros de óbitos vinham apresentando queda consistente. No período 2023/2024, por exemplo, foram contabilizadas apenas 6 mortes — uma redução de 91% em comparação ao cenário mais crítico até então. No entanto, o atual período 2024/2025 inverteu drasticamente essa tendência de queda.
Analisando os dados históricos dos últimos 20 anos, percebe-se a variação no número de vítimas fatais durante os períodos chuvosos em Minas Gerais. Enquanto alguns anos registraram números relativamente baixos, como 2015/2016 com apenas 4 óbitos, outros apresentaram cenários mais graves, como o atual período com 92 mortes, seguido pelo período 2019/2020 com 74 óbitos e 2008/2009 com 44 vítimas fatais.
O encerramento deste período chuvoso marca um momento de reflexão sobre as medidas preventivas e de mitigação necessárias para enfrentar eventos climáticos cada vez mais extremos em Minas Gerais. A magnitude dos danos humanos e materiais evidencia a necessidade de políticas públicas mais eficazes para lidar com as chuvas intensas que afetam regularmente o estado.